Contém spoilers do filme Vingadores Ultimato
E se pudéssemos voltar no tempo, faríamos diferente, corrigiríamos nossos erros, agiríamos melhor?
Bom, foi isso o que os Vingadores remanescentes pensaram quando decidiram mudar o curso da história, insatisfeitos como estavam com o presente, apesar da aparente paz reinante.
Mais uma vez, porém, veio a guerra contra o inimigo comum, só que, desta vez, com um desfecho diferente. Se ficou melhor para alguns deles, certamente o resultado foi pior para a Viúva Negra e o Homem de Ferro.
Mas e quanto a nós, reles mortais, aprendemos com os erros? Pelo jeito, não...
Toda a violência vivida pelo homem no passado, por exemplo, não impede que guerras civis (como ocorre na Síria), que ataques terroristas (o Sri Lanka foi o mais recente deles, mas a Europa vive em estado de alerta), que assassinatos (situação já cotidiana em todo o Brasil) ou que mesmo feminicídios (algo comum no atual Espírito Santo), entre outras tragédias, todas elas com a onipresença da pólvora, estejam em declínio, dando-nos a esperança de um mundo de paz.
Todo o noticiário informando sobre os riscos de doenças transmitidas pelo descarte inadequado do lixo e do esgoto, seja na rua ou em cursos d’água, não é suficiente para mudar o comportamento da população ou mesmo priorizar ações efetivas do governo em prol do saneamento do nosso ambiente.
Os engarrafamentos diários, acompanhados pela poluição do som e do ar, irritação e estresse, acidentes de trânsito, entre outras consequências funestas, não são suficientes para deixarmos o carro em casa e usarmos o sistema público, bem como para que mude as políticas públicas urbanas, que têm dado mais atenção à infraestrutura em benefício do automóvel, inclusive facilitando a vida de montadoras e motoristas, em detrimento do transporte de massa com qualidade.
O problema é que ninguém aqui é super-herói de fato. Não lançamos raios, nem temos escudos feitos de vibranium (material do escudo do Capitão América) que nos protejam das armas dos bandidos, que saem diariamente às ruas assaltando cidadãos de bem; não somos de outro planeta para sermos imunes a doenças terráqueas comuns como cólera ou hepatite; não voamos ou damos supersaltos que permitam que atravessemos as cidades rapidamente; ou seja, somos nossos próprios inimigos.
Mas além de super, os Vingadores também são líderes, cuja função foi assumida, responsavelmente, pelo poder que lhes foi outorgado. Daí que também ficamos pasmos com o fato de que o avanço recente em nações como Coreia do Sul e Finlândia, graças ao investimento maciço em educação, inclusive a de ponta, não sirva de lição para nossos líderes, aqueles que estão à frente do atual governo.
E como não dá pra voltar no tempo, como fez o Homem-Formiga e seus companheiros, não temos nem como mudar nossas escolhas políticas.
No entanto, tem algo que os Vingadores sempre fizeram que pode nos servir de lição no presente: eles nunca desistem! Mesmo diante da iminência da derrota ou do fracasso, enquanto houver um lapso de possibilidade de vitória, vale a pena lutar.
Enfim, que essa mensagem subliminar dos super-heróis nos faça então pensar em como mudar o rumo da nossa história futura. Que venha o Thanos!