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BRs 101 e 262

Por que pagar pedágio em nossas rodovias é um mal necessário?

Na Europa, os motoristas sempre têm rodovias paralelas sem pedágios como opção para transitar pelo território, e assim as estradas tarifadas não são o único caminho quando se viaja de carro

Publicado em 10 de Abril de 2025 às 04:00

Públicado em 

10 abr 2025 às 04:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

As famosas autopistas europeias, que criam uma rede conectando as principais cidades do continente, um verdadeiro tapete para quem precisa viajar de automóvel, não são excludentes. Explicando melhor: lá os motoristas sempre têm rodovias paralelas sem pedágios como opção para transitar pelo território, e assim as estradas tarifadas não são o único caminho quando se viaja de carro.
Aqui no Brasil, ao contrário, temos outro modelo, uma vez que nossas estradas são do governo federal ou dos estaduais que, em diversos casos, optam por passar a gestão das suas rodovias para empresas privadas através de concessão pública. E quando isso ocorre, ao motorista só resta mesmo deslocar-se pela estrada pedagiada para chegar ao seu destino, ou seja, além de pagar diversos impostos, ele ainda precisa gastar mais dinheiro com as tarifas dos pedágios.
Mesmo tendo uma das maiores cargas tributárias do mundo, o Brasil, segundo alegam nossos governantes, não dispõe de recursos suficientes para manter nossas rodovias em condições adequadas para o tráfego seguro de veículos.
De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Transportes (CNT), divulgada no final de 2024, apresentando o ranking da situação das estradas brasileiras, aumentou o número de rodovias em condições ruins quando comparado com o ano anterior.
Pela pesquisa, apenas 7,5 % das nossas estradas estão em ótimas condições, enquanto 26,6% apresentam-se em péssimas condições. O maior percentual (40,4%) é o de estradas em situação razoável. Contudo, a CNT alerta que caso elas não recebam urgentemente algum tipo de manutenção, tais rodovias poderão logo estar em condições ruins.
Como era de se esperar, a maioria das estradas sob concessão encontram-se em ótimas ou boas condições, ao passo que as piores estradas são aquelas sob a tutela dos governos federal ou estaduais.
Recentemente vimos, pela TV ou internet, vídeos de alguns acidentes em estradas gravados por câmeras fixas ou até por outros motoristas. É um tipo de BBB da tragédia, pois muitos desses sinistros resultaram em mortes.
Rodovias com traçados antigos e inadequados, pavimentação deteriorada cheia de trincas e buracos, ausência de sinalização, são esses alguns dos itens que deixam nossas estradas em condições precárias, aumentando o risco de acidentes graves. Além disso, muitas rodovias possuem trechos passando por áreas urbanas com intensa circulação de pessoas e de outros veículos.
Um paliativo que se tornou comum no Brasil na tentativa de minimizar a enorme quantidade de acidentes é a instalação de radares e quebra-molas. Neste ponto, cabe dizer que muitas estradas mundo afora sequer possuem quebra-molas, e os radares são em quantidade radicalmente menor do que os que temos em nossas estradas. Às vezes também há aquelas placas de sinalização informando algo do tipo: “devagar, curva perigosa à frente”.
O fato é que o tempo que um motorista leva para percorrer uma distância em nossas rodovias é bem maior do que o gasto comparado com outro viajante numa estrada em outros países, inclusive em alguns dos nossos vizinhos sul-americanos.
Contudo, as medidas adotadas por aqui visando coibir as infrações e, em consequência, os acidentes, não estão se mostrando eficientes, afinal as batidas, capotamentos, atropelamentos, etc., muitos deles resultando em mortes, continuam acontecendo.
Boa parte dos acidentes são causados pela impaciência dos motoristas, que precisam suportar a “lerdeza” das viagens, considerando tantos obstáculos (radares e quebra-molas), assim como o grande número de veículos em trânsito, inclusive as gigantescas carretas de transporte de mercadorias e que alcançam velocidades altíssimas, dificultando ultrapassagens nas pistas de mão-e-contramão.
Se tivéssemos rodovias com pistas duplicadas, nem haveria necessidade de tantos radares (muito menos dos incômodos quebra-molas), assim como o número de sinistros seria bem menor. Daí que pagar pedágio em estradas sob concessão é um mal necessário.
Portanto, não deixa de ser animadora as notícias referentes as duas das mais importantes rodovias federais que cortam o Espírito Santo.
Segundo foi noticiado, a BR 101 terá novo leilão de concessão e o edital já prevê R$ 10 bilhões  em investimentos em duplicações, contornos de áreas urbanas e em passarelas. Como se sabe, o atual contrato se tornou um verdadeiro imbróglio, com atrasos nas obras inicialmente previstas na concessão anterior, e cujo maior prejudicado são as pessoas que transitam por essa estrada que corta o estado de norte a sul.
Praça de pedágio da Eco101 na BR 101 no Espírito Santo
Praça de pedágio da Eco101 na BR 101 no Espírito Santo Crédito: Wilson Rodrigues
Mas talvez a melhor notícia seja a de que o Banco Mundial acabou de aprovar um pacote de financiamento de 162,4 milhões de dólares para a infraestrutura rodoviária do Espírito Santo. Segundo Johannes Zutt, Diretor do Banco Mundial para o Brasil, "este projeto ajudará o Espírito Santo a reduzir os custos de transporte, melhorar a segurança viária e aumentar a resiliência climática, beneficiando as comunidades urbanas e rurais".
Agora é aguardar que todos esses investimentos venham logo e sem nenhum tipo de intercorrência que possa atrasar suas obras, afinal, enquanto isso, ainda haverá muitos acidentes nas nossas estradas.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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