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Tarcísio Bahia

Tombamento do sítio histórico de Santa Teresa é só ponto de partida

Tombamento por si só não garante uma efetiva preservação do patrimônio, pois são necessárias ações educativas

Publicado em 21 de Março de 2019 às 19:40

Públicado em 

21 mar 2019 às 19:40

Colunista

Imagem da Rua de Lazer, em Santa Teresa Crédito: prefeitura de santa teresa e sedurb
Depois de tantos fatos ruins seguidos tanto no Brasil como no mundo, é com alento que chega uma boa notícia, pelo menos para os capixabas: o início do processo de tombamento do sítio histórico de Santa Teresa pelo Conselho Estadual de Cultura.
 
Em 2015 foi criado um grupo de trabalho no âmbito da Secretaria de Cultura e do Conselho Estadual de Cultura visando proteger o patrimônio histórico, arquitetônico e paisagístico desta que é considerada a primeira cidade do país colonizada por italianos, que aqui chegaram a partir do convite do Governo Imperial de D. Pedro II.
Na verdade, os primeiros colonos que chegaram ao Espírito Santo vieram por intermédio de Pietro Trabachi em 1874, mas se dirigiram para o litoral de Aracruz. Mais tarde é que chegaram outras levas, cujos destinos foram as regiões serranas do Estado, entre elas o local onde hoje se encontra a cidade de Santa Teresa.
Estando totalmente arraigados na formação atual do Espírito Santo, os descendentes de italianos têm no sítio urbano de Santa Teresa a imagem de luta e conquistas, razão pela qual se deve preservar aquele lugar, para que as futuras gerações possam testemunhar o legado da nossa história.
Na verdade, por ora ainda não se deu o tombamento definitivo, mas apenas a aprovação pelo Conselho Estadual de Cultura do parecer da Câmara de Patrimônio favorável ao tombamento, incluindo a delimitação da área a ser protegida, o que constitui um tombamento provisório. Ainda assim, trata-se de uma etapa vitoriosa, haja vista que os proprietários dos imóveis com interesse de preservação já se encontram impedidos de realizar alterações na estrutura arquitetônica dos mesmos.
E aqui é importante lembrar de que um imóvel na rua de Lazer foi demolido há pouco tempo, apesar do esforço que se travou judicialmente para preservá-lo. Também cabe recordar o caso de um casarão ameaçado de demolição para que fosse construída uma ponte para veículos, ou seja, a inversão de prioridades numa cidade que pode ter no turismo uma estratégia de desenvolvimento sustentável, isto é, com poucos impactos ambientais.
Por outro lado, o tombamento por si só não garante uma efetiva preservação do patrimônio, pois são necessárias ações educativas. Outros sítios históricos do Espírito Santo já tombados, como Muqui e Santa Leopoldina, vêm sofrendo pressão por parte de muitos dos seus próprios moradores que enxergam o tombamento como problema. Como consequência, muitos proprietários de imóveis preservados acabam não conservando adequadamente suas edificações. Além disso, no tombamento de um sítio histórico, mesmo os imóveis sem interesse de preservação precisam obedecer ao regramento para que a paisagem do conjunto urbano possa se manter íntegra.
Não obstante, o governo do Estado possui um edital anual com previsão de recursos financeiros visando a preservação e recuperação arquitetônica de imóveis nos cinco sítios históricos já tombados, o que vem permitindo uma gradual valorização do patrimônio capixaba, e que agora também incluirá Santa Teresa.
Se Santa Teresa já possui um calendário de eventos consolidado, com o Santa Jazz, o Festival Gastronômico e a Carretela del Vin (justamente em homenagem à imigração italiana), e que se juntam ao Museu Mello Leitão como importantes atrativos turísticos, é certo também que ainda falta muita a ser feito, inclusive com aumento no número de leitos de hospedagem. O tombamento certamente contribuirá para o incremento da atividade turística na cidade.

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