Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Meio ambiente

Campanhas e acordos internacionais já não são mais capazes de mudar a realidade

As estratégias para avançar, transformando documentos e campanhas em realidades que amenizem os impactos das mudanças climáticas, são o maior desafio da humanidade

Publicado em 10 de Março de 2025 às 04:00

Públicado em 

10 mar 2025 às 04:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

As consequências das mudanças climáticas não são mais ameaças e discursos inflamados de ativistas ambientalistas, mas a realidade no cotidiano da população mundial, e principalmente no Brasil.
As tragédias vivenciadas em diversas cidades brasileiras e as altas temperaturas de norte a sul do país são a constatação de que a natureza vem cobrando a fatura pelos anos de desmatamentos a que fora submetida.
Com o objetivo de ainda tentar trazer consciência às pessoas, principalmente àquelas que deveriam ter o compromisso coletivo, por apelo cristão ou compromisso ético-político, o ano de 2025 tem dois momentos importantes para tentar, senão reverter, pelo menos amenizar a situação.
Um desses momentos se inicia agora, com o período quaresmal para os católicos cristãos. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, na quarta-feira da semana passada, a Campanha da Fraternidade 2025, com o tema Fraternidade e Ecologia Integral. Inspirada na Carta Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que em 2025 completa 10 anos, e nos 800 anos da composição do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis.
Na encíclica Laudato Si', o pontífice critica o consumismo e o desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas. Já o Cântico das Criaturas é uma canção religiosa cristã, composta por Francisco de Assis, que de forma sincera e pura agradece a Deus pela criação da natureza, por meio de uma teologia pessoal. Ele frequentemente se referia aos animais como irmãos e irmãs da humanidade e rejeitava qualquer tipo de acúmulo material.
A Campanha da Fraternidade é, desde 1964, uma forma de a Igreja Católica abordar na sociedade as questões mais latentes que trazem modificação social e sofrimento para o povo, sendo a questão climática e ambiental uma delas.
A preocupação, embora seja dos poderes constituídos, também é da Igreja, considerando que a forma como muitas pessoas, incluindo os mais poderosos, se relacionam com o meio ambiente e a natureza pode colocar em risco a sobrevivência futura da espécie humana.
Com a mesma pauta, acontecerá em novembro deste ano, no Pará, coração da Amazônia, a 30ª Conferência das Partes (COP30), que deverá representar uma transição da fase de negociação para esforços efetivos de governança global no enfrentamento das mudanças climáticas. A intenção, por parte do Brasil, é que o evento possa impulsionar a implementação do Acordo de Paris, que completa dez anos.
O acordo é o tratado mais importante firmado sobre o aquecimento global, tendo o objetivo de evitar a piora dos impactos climáticos ao limitar o aumento da temperatura a 1,5°C.
Ativistas do clima marcam quinto aniversário do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, em Paris
Em 2020, ativistas do clima marcaram o quinto aniversário do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, em Paris Crédito: Reuters/Folhapress
Embora a dimensão científica e vital acerca da necessidade da preservação do meio ambiente já tenha sido compreendida, as estratégias para avançar, transformando documentos e campanhas em realidades que amenizem os impactos sobre o funcionamento dos países e produção de riqueza sobre a vida das pessoas, são o maior desafio da humanidade.
Desafios esses que residem juntamente no ponto em que, para se mudar a situação climática, que já é gravíssima, urge a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa, adaptar-se às mudanças climáticas e a preservar florestas e biodiversidade Isso, para muitos, implica em reduzir lucros e poder.
A mudança da situação, que já experimentamos insuportável, requer uma mudança de postura e compreensão de mundo, que parece não ser alcançável por campanhas ou acordos. Eis as perguntas: até quando resistiremos? O que mais precisaremos fazer?

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Liga Ouro de basquete 2026: Joaçaba elimina Cetaf
Cetaf perde Jogo 3 e é eliminado da Liga Ouro de basquete
Imagem de destaque
A revolta com soldado de Israel que vandalizou estátua de Jesus no Líbano
Imagem de destaque
Ataque a tiros em pirâmides do México deixa turista morta e várias pessoas feridas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados