A terminalidade da vida humana é um dos temas que, embora necessário de ser abordado e trabalhado em sociedade, ainda é tabu entre as pessoas. Achando que são eternas, as pessoas não discutem os momentos finais da vida, e muito menos a morte. Vive-se como se a vida nunca fosse acabar.
Mas a realidade é outra. O dia da morte vai chegar para todas as pessoas, inclusive para aquelas que não se preparam. Embora o fato de se preparar não retarde os acontecimentos ou impeça o sofrimento, mas atenua as consequências e alivia o cotidiano de um paciente crônico ou um idoso, e ainda tranquiliza a família e amigos que estão no entorno.
O Brasil tem uma população que envelhece de forma mais acelerada que no cenário global, e por isso a necessidade de se cobrar políticas públicas voltadas para os cuidados paliativos para as pessoas que envelhecem e enfrentam a prevalência de uma doença crônica, mas têm o direito de ter o controle e alívio de sintomas, no sentido de trazer conforto e promover uma qualidade de vida, mesmo diante de situações irreversíveis, por meio de uma equipe multidisciplinar, composta de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, cuidadoras, fisioterapeutas, nutricionista, assistente social, psicóloga. É nisso que consiste o cuidado paliativo.
O Conass, o Conassems e o Ministério da Saúde, em 2018, chegaran a aprovar resolução com diretrizes para organização dos cuidados paliativos no SUS, mas mesmo sem força de lei precisa ser a base de uma política pública para todas as pessoas que estejam nessa situação.
O Brasil, em 2018, tinha 1,5 milhão de pessoas para cada serviço de cuidados paliativos no SUS, mas não atendia nem a 10% da população que necessitava. De acordo com a ANCP existem 80 serviços de CP cadastrados, mas que não atendiam a necessidade, sendo em sua maioria de natureza particular, deixando um enorme número de pessoas fora do radar dessa atenção qualificada que coloca o Brasil em 42º lugar no ranking mundial de qualidade de morte.
Segundo a OMS, a cada ano mais de 20 milhões de pessoas necessitam de cuidados paliativos ao final de suas vidas no mundo todo, sendo 6% destas crianças, estimando-se 40 milhões, incluindo os pacientes no estágio inicial da doença, no total.
Além disso, considerando a magnitude do SUS, somos um dos únicos grandes sistemas de saúde no mundo que não tem cuidados paliativos em forma de política pública, de acordo com o presidente da ANCP. E diante da previsão do aumento de milhares de casos de câncer até o ano de 2040, urge o planejamento e a efetivação dos cuidados paliativos enquanto política pública, para evitar uma ruptura no sistema de saúde.
O Espírito Santo conta com algumas clínicas e hospitais de cuidados paliativos, em sua totalidade particular ou convenial, que executam com afeto e técnica esse mister. Um deles de relevância singular, pela sua competência profissional e diferencial afetivo direcionado ao paciente e a família. Trata-se do Hospital Total Health. Lugar em que a vida tem o valor absoluto e principal.
Um país precisa cuidar melhor do sofrimento de seus cidadãos no momento de terminalidade da vida e da constatação que somos finitos, para que possamos chegar ao final com menos dor e com mais dignidade. A conscientização da população brasileira sobre os cuidados paliativos é essencial para que o sistema de saúde brasileiro mude sua abordagem aos pacientes portadores de doenças que ameaçam a continuidade de suas vidas.
Cuidados paliativos são uma necessidade de saúde pública. São uma necessidade humanitária. Um país precisa que os cuidados paliativos sejam políticas públicas. Um país precisa de mais Renata, Henrique, Luana, Milena, Karla, Carla, Raquel, Fernanda, Brenda, Rosi, Cristiane, Luiz, Maycon, Vitor, Simone, Sheila, Raane, Dileia, entre tantos.