Um dos maiores escândalos financeiros do país, amplamente divulgado em novembro de 2025, envolvendo a liquidação do Banco Master, trouxe à tona investigações sobre o seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro. O caso gerou um prejuízo de aproximadamente R$ 47 milhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), além de acender um alerta entre as elites financeira e política do Brasil, colocou em risco milhares de contribuintes brasileiros que podem ter de arcar com um possível prejuízo provocado pelas transações.
No entanto, as revelações do caso Master não param por aí. O episódio também expôs traços negativos da sociedade, especialmente relacionados ao machismo e à coisificação da mulher, trazendo à baila, mais uma vez, que as mudanças estruturais e culturais que precisamos fazer são urgentes e vão requerer coragem de todas as pessoas.
A análise do relatório da Polícia Federal sobre as festas promovidas por Daniel Vorcaro revela não apenas práticas ilícitas no âmbito financeiro, mas também evidencia traços profundos da cultura machista e misógina presentes na sociedade brasileira. O uso de festas sexuais como espaços para negociações estratégicas e financeiras, onde mulheres estrangeiras eram tratadas como instrumentos de entretenimento e moeda de troca, reforça a coisificação feminina, elemento estruturante do machismo nacional.
A presença de empresários e políticos influentes nesses ambientes demonstra como o poder, o privilégio e as relações sociais são frequentemente mediadas pelo controle e pela exploração do corpo da mulher, perpetuando lógicas patriarcais e naturalizando a desigualdade de gênero.
O fato de se optar por mulheres estrangeiras, segundo o relatório, não por desejo ou fantasia, mas por questões de segurança, acentua ainda mais a objetificação e a desumanização. Ao considerar que a barreira linguística e o desconhecimento do contexto local e personalidades garantiriam um silêncio orgásmico barato, impedindo qualquer tentantiva de denúncia do esquema monstruoso.
Ademais, a invisibilidade dessas mulheres perpetua uma dinâmica de poder em que elas são tratadas como meros objetos descartáveis, desprovidas de voz ou autonomia.
A prática é reflexo de uma estrutura misógina, na qual a mulher é vista como um recurso utilitário, cuja presença serve apenas aos interesses masculinos e de poder. Essa abordagem revela como a cultura machista, enraizada em diversas esferas sociais, continua a legitimar e normalizar a exploração feminina, mesmo em ambientes de elite e decisão política.