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Conflito internacional

Israel e Irã: quando a guerra não segue a estratégia da guerra

Para os fomentadores dessa guerra, quanto mais dure a tensão, não importando quantas pessoas morram, mais lucro e consolidação de poder haverá

Publicado em 23 de Junho de 2025 às 02:00

Públicado em 

23 jun 2025 às 02:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

Por volta do ano 500 a.C, Sun Tzu escreveu um livro-manual, reconhecido como obra literária intitulado de “A arte da guerra”, que como um guia estratégico para conflitos armados, ainda hoje é utilizado em várias áreas da vida. Estruturado em treze capítulos, possibilita um itinerário pelos diversos aspectos de uma estratégia bélica.
O primeiro ponto de abordagem da ideia explorada no livro é que o conflito é uma característica inerente ao ser humano, ou seja, algo que não é possível apartar da essência humana. Em uma situação de ameaça, o conflito é um tipo de relação. Portanto, a guerra é uma relação.
Quando se torna um mal necessário, mesmo assim deve ser evitado sempre que possível, ou seja, a qualquer tempo pode e deve ser revisto como tomada de decisão. O recuo é algo que deve ser opção de primeira hora.
A obra foi introduzida no Japão por volta de 760 d.C. e rapidamente se tornou popular entre os generais japoneses, tendo desempenhado papel significativo na unificação do Japão uma vez que os samurais ficaram conhecidos por terem honrado esses ensinamentos.
A estratégia militar realça a importância do conhecimento, indicando que é essencial o autoconhecimento, a consciência das suas próprias forças e fraquezas, o conhecimento do inimigo e o conhecimento do contexto e do ambiente envolvente, considerando as condições políticas, geográficas, culturais, entre outras.
O autor do livro viveu em um período conturbado da história da China, em que na Dinastia que existia à época o poder central estava enfraquecido e os principados entraram em inconciliáveis conflitos, gerando pequenos Estados. Essas sociedades menores coexistiam a partir de um convívio tenso e era relativamente frequente a instauração de guerras, sendo algo quase necessário. Por esse motivo, o tema da guerra era tão caro aos contemporâneos de Sun Tzu.
Nos seus treze capítulos vai sendo tecido um manual, com princípios fundantes de sobrevivência para defesa e ataque. Destaco o primeiro, que aborda a importância de avaliar e planejar, tendo conhecimento de cinco fatores que podem influenciar as decisões, tais como o caminho, terreno, o clima, a liderança e a gestão. Exortando, no entanto, que a guerra é algo que tem consequências para o estado ou país, e por isso não deve ser iniciada sem muita consideração.
Já no capítulo dois, ensina que o sucesso na guerra depende da capacidade de terminar um conflito de forma rápida, sendo possível compreender a vertente econômica da guerra. Muitas vezes para vencer a guerra é preciso saber reduzir os custos relacionados ao conflito armado.
Ao assistir, ao vivo, aos últimos ataques entre Israel e Irã, percebe-se que quase nada há das lições de Sun Tzu, principalmente quanto aos dois primeiros capítulos. Talvez seja porque trata-se de uma guerra fomentada por interesses terceiros, de grupos e personalidade que não estão no território, e por isso não detêm uma premissa de luta pela própria sobrevivência.
Imagem mostra bombardeios de Israel contra a capital do Irã, Teerã
Imagem mostra bombardeios de Israel contra a capital do Irã, Teerã Crédito: Reprodução
Para os fomentadores dessa guerra, quanto mais dure a tensão, não importando quantas pessoas morram, mais lucro e consolidação de poder haverá. Além de não sofrerem as consequências mais severas, mesmo que tenham decidido pela guerra.
Diante desses elementos, descaracteriza-se a “guerra” como mecanismo de luta por algo que seja inato aos que guerreiam e precisam guerrear para continuarem vivos. Inaugura-se um outro tipo de guerra, que podemos chamar de “terceirizada”, que se revela mais cruel e monstruosa para os que morrem, mas lucrativa para quem decide por ela.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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