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Desrespeito

Mulheres negras sempre incomodam

Ao ouvir de um homem branco que “deveria se pôr no seu lugar”, Marina se colocou, bradando em alto e bom som, que não é mulher submissa, que iria falar e não se calaria

Publicado em 02 de Junho de 2025 às 02:00

Públicado em 

02 jun 2025 às 02:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

Quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura se movimenta com ela, de acordo com Ângela Davis, e essa sentença que diz a importância da luta das mulheres negras pelo mundo tem se comprovado empiricamente quando testemunhamos dezenas de mulheres, principalmente as de pele preta, alcançando espaços onde antes era cadastro de reserva de homens brancos ou, quando muito, de mulheres brancas.
No dia 27 de maio, mais um desses episódios violadores aconteceu. Durante uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ao sustentar bandeiras de luta de uma vida inteira pelo meio ambiente, foi atacada barbaramente, mas bradou aos quatro ventos a que veio. Ela firmou posição, não só pela causa, mas pela condição de uma mulher negra ocupando um espaço de poder, ao enfrentar todo um sistema que diariamente é vilipendiado por grandes interesses que colocam em risco o futuro do planeta.
Ao falar sobre a criação de área de conservação na Região Norte do Brasil, Marina foi alvo de declarações machistas e misóginas, por parte de senadores homens brancos, que recorrem à estratégia própria do machismo estrutural para subjugar as mulheres para manter o status quo.
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, discute com senador Marcos Rogério, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, discute com senador Marcos Rogério, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado
A proposta de um dos senadores de "separar a mulher da ministra", porque a mulher "merecia respeito" e a ministra, não, configura-se uma estratégia deletéria, própria do machismo estrutural, que reduz uma condição para fragilizar e, assim, avançar com “a boiada”. Disse ele: "Ministra Marina, que bom reencontrá-la. E ao olhar para a senhora, eu estou vendo uma ministra. Não estou falando com uma mulher. Porque a mulher merece respeito, a ministra não. Por isso que eu quero separar". 
Marina grita pelos que não têm voz, pelos omissos e pelos medrosos. Marina defende o nosso futuro.
Por não deixar “passar a boiada”, uma mulher negra foi atacada de forma vil. A ministra Marina reagiu imediatamente, exigindo pedido de desculpas e não permanecendo no local diante da intenção de perpetuação do desrespeito.
Ao ouvir de um homem branco que “deveria se pôr no seu lugar”, Marina se colocou, bradando em alto e bom som, que não é mulher submissa, que iria falar e não se calaria.
Embora já, diversas vezes, tenhamos escrito nesse sentido, ainda será necessário escrevermos quantas vezes for preciso que na história as mulheres foram e ainda são silenciadas nos espaços de poder e mesas de decisão, principalmente se estiverem se “intrometendo” em assuntos que podem atingir os interesses elitistas daqueles que não possuem compromisso prático com o coletivo.
A causa da vida de Marina é também a causa de manutenção do poder político e econômico do Brasil, sendo assim, uma mulher negra, enquanto autoridade climática, se colocar é um enfrentamento inadmissível por parte do sistema de poder, por isso os ataques tão cruéis e violentos.
Marina fez a parte dela. Cabe aos demais enfileirar-se com ela para defender a nossa sobrevivência.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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