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Compromissos

O novo pacto social e a mesma desigualdade entre homens e mulheres

Ao que parece, o combinado social patriarcal até poderia suportar as mulheres ocupando lugares que antes eram reservados aos homens, mas não estava no pacto que eles teriam que assumir a casa e filhos

Publicado em 07 de Julho de 2025 às 02:00

Públicado em 

07 jul 2025 às 02:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) de 2023 revelou que 50,8% das residências são chefiadas por mulheres, e em 36% dessas casas o único recurso que mantém as despesas familiares é o delas. Mesmo que ainda ganhem menos do que os homens, na maioria das vezes.
São as mulheres que mais ocupam o ensino superior e, como consequência, vão avançando no protagonismo nos postos de poder e nas mesas de decisão, agora como provedoras das despesas domésticas, seja quando são mães solo, seja quando não contam com a renda do companheiro, soterrando o discurso do macho provedor.
Diante desse quadro, que a cada ano avança, o papel das mulheres na sociedade, na política e na economia vai aumentando, entrincheirando os homens em um lugar desconhecido para a maioria deles. Eles passam a ser desnecessários para as mulheres, e essa “desnecessidade” muda a lógica social outrora consolidada e produz consequências que a sociedade masculina, principalmente aquela confortável com heteronormatividade, desconhece.
As mulheres foram para as ruas, indústrias, escritórios, fábricas, gabinetes, parlamentos, salas de aula, laboratórios, hospitais, entre tantos outros lugares de atuação laboral remunerada, motivadas pela necessidade de conquista ou sobrevivência, mas não puderam deixar o lugar da casa, enquanto cuidadoras e gestoras domésticas. Até porque, na ausência de condições de remunerar outra mulher por assumir esse trabalho, a tarefa não foi assumida pelo companheiro, na maioria dos casos.
Ao que parece, o combinado social patriarcal até poderia suportar as mulheres ocupando lugares que antes eram reservados aos homens, mas não estava no pacto que eles teriam que assumir a casa e filhos. Raros são os casos em que homens assumiram isso para as mulheres trabalharem fora.
Nesse sentido, o Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (Ipea) promoveu um estudo sobre “Tarefas Domésticas e Desigualdades de Gênero”, que revelou que, no Brasil, as mulheres dedicam 21 horas semanais aos cuidados domésticos, entre filhos e casa, e os homens 11 horas. Detalhe, isso mesmo quando são as provedoras.
Na sequência da análise da pesquisa, as despesas, quando são assumidas pelos dois em situação desigual, chamam a atenção, pois mulheres tendem a assumir as despesas estruturais da casa e dos filhos, e os homens vão mantendo o padrão de consumo pessoal.
Disparidade entre homens e mulheres na divisão de trabalhos domésticos prejudica mulheres no mercado de trabalho, diz pesquisadora
Disparidade entre homens e mulheres na divisão de trabalhos domésticos prejudica mulheres no mercado de trabalho Crédito: Freepik
Importante ressaltar que a pesquisa e a análise não representam o todo, mas refletem a maioria e, principalmente, uma tendência social, que cria um outro tipo de desigualdade, que traz consequências danosas para as mulheres que cumprem uma tripla tarefa, pagando uma fatura alta no final das contas.
E, por outro lado, tem colocado em questão a dita supremacia masculina, podendo ser a chave de compreensão para algumas das crises que vivemos na atualidade. Ao que parece, as mulheres, já há tempos, vêm assumindo com maestria os lugares antes ocupados somente por homens, no entanto, o contrário não tem sido tão correspondente assim, criando-se um limbo social que pode ser confortável no primeiro momento, mas deve acarretar consequências ainda em fase de descoberta.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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