Em 25 de maio de 2020, George Floyd foi assassinado nos EUA por um policial que se ajoelhou, por cerca de oito minutos, no seu pescoço fazendo com que perdesse o ar. Mesmo informando que não conseguia respirar, Floyd, um homem negro, foi levado à morte por um homem branco, em meio à “praça pública”, e mais, em tempos da vida filmada de forma instantânea, a ação foi registrada, assim como o seu clamor desesperado.
A imagem foi veiculada no mundo inteiro, e desencadeou manifestações antirracistas que trouxeram à memória outros episódios semelhantes aos que foram a motivação das lutas dos movimentos por igualdade racial e direitos civis nos EUA, podendo ser considerada uma continuação da luta de Luther King, durante os anos 1950 e 1960.
Uma das manifestações que mais chamou a atenção, além dos policiais se ajoelhando e milhares de jovens durante dias ocupando as ruas do mundo, bradando: “parem de nos matar”, “não consigo respirar” ou “tire seu joelho do meu pescoço”, foi o ato de centenas de jovens permanecendo deitados com os rostos voltados para o chão em posição similar à que Floyd foi assassinado. O ato é o registro concreto que uma violação de Direitos Humanos gravíssima como o racismo não atinge somente a uma pessoa, mas toda a humanidade.
Sem dúvida nenhuma o que detona em cada um de nós quando um caso desse acontece, capaz de levar milhares de pessoas para as ruas no mundo todo, é algo que é intrínseco à dignidade da pessoa humana e que se encontra no cerne da proteção dos Direitos Humanos. Que não se negocia ou relativiza-se, e, portanto, não é aceitável a sua violação. O que afeta ao homem, enquanto sujeito de direitos, é o que o move e o torna capaz de lutar por algo tão concreto e tão fugaz que é a vida humana. O que torna os Direitos Humanos indivisíveis, indisponíveis e inegociáveis.
Ocupar as ruas é mais do que a empatia pela dor do outro, é compromisso com o direito a uma vida digna e sem preconceito para com todas as pessoas e, principalmente, é uma radicalização necessária contra o racismo que se encontra na estrutura da sociedade. É preciso que afete não somente pela mesma condicionalidade, mas pela responsabilidade política, histórica e social de cada um e cada uma.
A falta de ar que George Floyd sentiu é a mesma que todas as vítimas de violência sofrem, que atinge o corpo e alma. A falta de ar que ameaça a vida todas as vezes que o racismo insiste em diminuir o outro. Para enfrentar essa falta de ar é preciso lançar mão do respirador de uma luta que precisa ser contínua e vigilante, e que ainda como temos visto pelo mundo está longe de acabar, considerando que o racismo ainda insiste em fazer vítimas todos os dias.