Tornozeleiras do ES: 222 equipamentos perderam sinal e presos desapareceram
Sem monitoramento
Tornozeleiras do ES: 222 equipamentos perderam sinal e presos desapareceram
O problema ocorreu nos últimos doze meses; um dos casos envolve o traficante Thiago Moraes Pereira Pimenta, o Panda, irmão do criminoso Marujo
Publicado em 10 de Junho de 2024 às 17:14
Públicado em
10 jun 2024 às 17:14
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
MonitoramentoCrédito: Arte - Sabrina Cardoso
Correção
10/06/2024 - 5:10
Após a publicação, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) procurou a coluna para informar o número de tornozeleiras ativadas nos últimos 12 meses até o dia 6 de junho: 1.374. Esse número não havia sido repassado anteriomente pela Secretaria. O cálculo publicado levou em conta o número de tornozeleiras ativas até a última quinta-feira, dia 06, que é de 774 equipamentos. Porém, com o novo dado informado agora pela secretaria, os cálculos foram refeitos considerando as ativações no período. Assim, o número de equipamentos desativados por falta de sinal continua o mesmo, 222, mas percentualmente o dado de tornozeleiras que não se sabe o paradeiro muda de quase 30% para 16,15%. O texto e o título foram corrigidos.
Após a publicação, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) procurou a coluna para informar o número de tornozeleiras ativadas nos últimos 12 meses até o dia 6 de junho: 1.374. Esse número não havia sido repassado anteriomente pela Secretaria. O cálculo publicado levou em conta o número de tornozeleiras ativas até a última quinta-feira, dia 06, que é de 774 equipamentos. Porém, com o novo dado informado agora pela secretaria, os cálculos foram refeitos considerando as ativações no período. Assim, o número de equipamentos desativados por falta de sinal continua o mesmo, 222, mas percentualmente o dado de tornozeleiras que não se sabe o paradeiro muda de quase 30% para 16,15%. O texto e o título foram corrigidos.
Um total de 222 tornozeleiras eletrônicas do Espírito Santo perderam o contato com o monitoramento e os presos que as usavam não foram mais localizados. O problema ocorreu entre maio do ano passado até a última quinta-feira (06). Um dos casos envolve o traficante Thiago Moraes Pereira Pimenta, conhecido como Panda, irmão do criminoso Marujo — Fernando Moraes Pereira Pimenta —, que chegou ao posto de o mais procurado do Estado e que foi preso em março deste ano.
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) responsável pela administração dos presídios capixabas, informou que o Estado contava com 774 equipamentos ativos, ou seja, que permanecem sendo utilizados para monitorar os detentos. Entre maio do ano passado até o último dia 6, foram ativadas 1.374 tornozeleiras. Deste total, 222 tiveram o monitoramento interrompido por ausência de sinal e falta de contato com a Diretoria de Movimentação Carcerária e Monitoramento Eletrônico (Dimcme).
Houve tentativas, sem sucesso, de restabelecer o sinal. Também não foram bem sucedidos os contatos telefônicos para fazer com que os detentos comparecessem à central. “Todos os incidentes foram imediatamente comunicados ao juízo responsável pela decisão de monitoramento para adoção das medidas legais”, informou a Sejus por nota.
No mesmo período — últimos doze meses —, foram registradas 352 ocorrências, cerca de 29 por mês, de perda de sinal/comunicação entre o equipamentos de detentos e o sistema de monitoramento. Segundo a Sejus, este tipo de problema pode ocorrer mais de uma vez com uma mesma tornozeleira, em momentos diferentes.
As causas que podem levar ao problema são diversas, e vão desde razões técnicas, ausência de sinal de rede de telefonia móvel, defeito do equipamento, uso inadequado, ou causadas intencionalmente pelo monitorado, utilizando de algum meio para o interrompimento da transmissão do sinal.
“Por esses motivos, quando o sistema acusa ausência de comunicação, é solicitado que o monitorado compareça imediatamente à central de monitoramento para realizar a inspeção do equipamento. E quando não se consegue contato com o monitorado é realizada imediata comunicação ao Poder Judiciário”, explicou a Sejus.
Ocorre que mesmo não transmitindo dados de monitoramento para o sistema, por falta de rede, o dispositivo eletrônico é capaz de gravar, em memória interna, até 30 dias de monitoramento e quando é conectado a uma rede de dados móveis, tais informações são transmitidas à central.
Sistema seguro
“O status do equipamento não estar comunicando, por si só não é um ato grave. A gravidade está no sistema de monitoramento indicando falta de sinal e o monitorado não atender as tentativas de contato para que seja realizada a inspeção no equipamento”, acrescenta a Sejus.
As dificuldades envolvendo o sistema de monitoramento não reduzem, de acordo com o secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, a importância do sistema como medida alternativa à prisão. Ele destaca que é possível acompanhar o detento em tempo real, por 24 horas, com delimitação geográfica e até com definição de áreas de exclusão — que não podem ser frequentadas pelo tornozelado, tudo seguindo as recomendações da Justiça.
“É um sistema seguro, que oferece também uma possibilidade de reinserção do preso na sociedade. Muito embora o monitoramento não impeça diretamente o cometimento de delitos, é um sistema que dá subsídio para investigações futuras e pode ocasionar na regressão de regime do usuário que comete algum crime”, observa Pacheco.
Ele destaca que os operadores da central são policiais penais capacitados para essa função e que sempre que é identificada a ausência de sinal do equipamento, inicia-se o protocolo de contato com o monitorado para ser realizada a inspeção da tornozeleira.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.