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Sentença

Acusado por morte de jovem no Sambão vai a júri popular no ES

Réu foi identificado após nova perícia apontar que o autor do disparo não era o menor que havia sido apreendido e confessado

Publicado em 17 de Março de 2026 às 03:30

Públicado em 

17 mar 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Crime no Sambão
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Três anos após o assassinato do jovem Pedro Henrique Crizanto, 20 anos, no Sambão do Povo, um novo acusado pelo crime vai enfrentar o júri popular. A sentença é do Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória.
A acusação contra Wesley Gomes da Silva, conhecido como “Pé de Monstro”, veio um ano após o crime, em 2024. A investigação sobre o caso foi reaberta com o surgimento de uma nova perícia, que apontou que o tiro que matou o jovem havia partido de outra pessoa.
Em julho de 2024 o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) o denunciou pelo crime e agora será encaminhado ao crivo dos jurados de Vitória.
A defesa do réu é realizada por Bruno Won Doelinger. Ele assinala que Wesley é inocente de todas as acusações. “Temos certeza”.
Acrescenta que vai recorrer contra a decisão de pronúncia junto ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). “Vamos mostrar a incompatibilidade e incongruência entre as provas anexadas ao processo e a decisão de pronúncia. Meu cliente é inocente."

Divergências

A sentença aponta que a segunda investigação foi marcada por várias divergências, que geram cenário de dúvida, mas que vão ser avaliadas pelo Conselho de Sentença (jurados).
São apontadas as seguintes controvérsias, várias delas pautadas em vídeo (veja abaixo) registrado no dia:
  • Laudo feito pelo MP do Rio - concluiu que o autor do disparo trajava camisa de cor amarelo claro, identificando Wesley
  • Laudo da PC capixaba - o primeiro laudo indica que uma pessoa que aparece correndo, de camisa amarela, não seria Wesley. Em uma segunda análise incluiu outra pessoa de camisa de cor amarelo claro que seria compatível com o réu, mas informa que a qualidade das imagens não permitia o reconhecimento facial
  • Mudança no depoimento - Uma testemunha, inicialmente, reconheceu o menor como o autor dos disparos. Em novo depoimento, à polícia e em juízo, mudou sua versão, afirmando ter se enganado e apontou Wesley como o atirador 
  • Ameaças - Um menor confessou o crime, mas há relatos de que teria sido pressionado por traficantes para assumir a culpa no lugar do réu
  • Altura - Uma testemunha relatou em juízo que a pessoa de camisa amarela tinha aproximadamente 1,70m de altura, mas o réu possui cerca de 1,90m.
É informado no texto judicial que nesta etapa são necessários indícios para encaminhar o réu ao julgamento. E que diante das versões conflitantes, caberá aos jurados decidir qual vertente de provas é a mais verossímil.

Crime e a reviravolta

Pedro Henrique Crizanto, 20 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça durante ensaios técnicos das escolas de samba, em fevereiro de 2023. Dias após o crime um menor foi apreendido e apontado como o autor do disparo.
Inconformada com a situação, a família do jovem morto acionou o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por intermédio do advogado Renan Sales, que solicitou a realização de uma perícia em um vídeo com as imagens do crime produzidas no Sambão do Povo, no dia 1º de fevereiro, por volta das 22h50.
Elas mostram o registro de uma briga, em meio a um aglomerado de pessoas em ambiente aberto, quando um disparo é ouvido e na sequência a dispersão das pessoas. Entre eles estava Pedro Henrique.
A análise foi feita pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
O resultado do trabalho foi de que “o disparo não foi realizado pela pessoa de camiseta branca”. A pessoa citada é o menor apreendido. Na sequência tem-se a informação sobre o autor do tiro: “A pessoa de camiseta amarela apresenta movimento corporal indicativo de ser o autor do disparo”.
Posteriormente, uma pessoa identificada como Wesley Gomes da Silva, o Pé de Monstro, como o autor do crime.

Atualização

17/03/2026 - 10:05
Ao texto foram acrescentadas as informações da defesa de Wesley Gomes da Silva.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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