Ano violento para mulheres no ES: aumentam casos de agressões e mortes
Dados de crimes
Ano violento para mulheres no ES: aumentam casos de agressões e mortes
As estatísticas de violência doméstica, de homicídios de mulheres e feminicídios alertam para o crescimento de casos em relação aos do ano anterior
Publicado em 10 de Julho de 2024 às 03:30
Públicado em
10 jul 2024 às 03:30
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
Abandonada às margens de uma estrada, embaixo de uma cama, no box de um banheiro. Elas foram mortas a tiros, facadas ou espancadas. Algumas estavam grávidas, outras não conseguiram impedir que seus filhos também fossem alvo das agressões. Casos como o de Íris, Mirian, Sara, Sônia e Paloma, entre tantos outros, mostram o quanto os primeiros seis meses de 2024 não foram fáceis para as mulheres no Espírito Santo.
Alerta presente nas estatísticas de violência doméstica, de homicídios de mulheres e feminicídios, que aumentaram em relação as do ano anterior.
A cidade, inclusive, surpreendeu, considerando que por lá, desde 2018, não havia homicídios de mulheres ou feminicídios. Situação que mudou em 2024, com a ocorrência dos dois casos. O mesmo aconteceu com outras duas cidades do interior: Alfredo Chaves e Laranja da Terra, cada uma com um registro este ano.
Em todo o ano de 2023, no Espírito Santo ocorreram 35 feminicídios. Neste ano, no período de janeiro até o dia 8 de julho, foram 21 casos. Confira um comparativo com o mesmo período nos anos anteriores:
O feminicídio é o desfecho trágico do ciclo de violência vivenciado por muitas mulheres, como relata Michelle Meira Costa, gerente de Proteção à Mulher na Segurança Pública (Sesp). “Em geral, já há um histórico de situações conturbadas no relacionamento que culmina com a violência máxima, a morte da mulher”, relata.
Nos seis primeiros meses deste ano foram denunciadas à polícia 11.516 situações de violência doméstica. Um volume maior do que o do ano passado, quando se teve 10.768 ocorrências. Situações que ocorreram principalmente dentro das casas (70,9%), em incidentes variados. Confira:
O aumento desses registros era esperado, relata Michelle. “É o que temos percebido ano a ano, exceto em 2020, em função da pandemia. Nos mostra a dimensão do problema a ser enfrentado, mas entendemos que se todas as mulheres que sofrem violência passarem a denunciar, os dados serão ainda maiores”.
A expectativa é de que as mulheres procurem a polícia em busca de ajuda para sair do ciclo de violência. “Nossa preocupação é com o pequeno número de registros em algumas regiões, o que chama a nossa atenção. É o caso da Região Sul-Serrana, com uma cultura machista”, relata.
Exemplo desta situação vem dos casos de feminicídio ocorridos em Venda Nova do Imigrante. Um deles não foi precedido de denúncia à polícia, e o outro foi identificada uma ocorrência em 2018, mas a vítima desistiu de prosseguir com a ação.
Para surpresa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), os casos de homicídios de mulheres também apresentaram crescimento em relação ao ano anterior. Segundo Michelle, eles seguem a tendência dos homicídios em geral, que incluem todos os assassinatos no Espírito Santo, e que vem apresentando uma série histórica de queda.
“Mas isto não ocorreu com o de mulheres. É a primeira vez que verificamos este comportamento e que pode ser decorrente de razões variadas, inclusive as ligações com tráfico de drogas. Nossa expectativa é de que este quadro se reverta com o avançar dos meses”, assinala
No ano passado, no período de janeiro a 8 de julho, ocorreram 43 homicídios de mulheres. Este ano, no mesmo período, foram 48.
A diferença entre homicídio de mulheres e feminicídio é a motivação. No segundo caso a morte ocorre em função da vítima ser do gênero feminino.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.