Estava sendo investigado um suposto esquema de coação de presos para que votassem em determinados candidatos. E que teria sido adotado no pleito do ano anterior.
Após três anos, completados no último dia 5, e caminhando para a segunda eleição após o início da investigação, o inquérito policial ainda não foi concluído.
Em nota, a PF informou que ele “está na fase de relatório” e que em função disto não seriam dadas mais informações.
As acusações, que resultaram em mandados de busca e apreensão determinados pela Justiça Eleitoral da Serra, pesavam contra cinco servidores que atuavam no Centro de Detenção Provisória da cidade, o CDPS. Parte do grupo ocupava cargos de chefia na unidade e um deles morreu.
O relato era de que servidores da Secretaria de Justiça do Espírito Santo (Sejus), durante os dias de votação, ao levarem os presos de suas celas até a seção eleitoral, teriam induzido ou pressionado para que votassem em candidatos de sua preferência.
A suposta “conversa” teria ocorrido em uma sala, antes da cabine de votação, onde eram informados sobre os candidatos a quem deveriam destinar seu voto para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
Na ocasião foram ouvidos os detentos, servidores, incluindo os que atuaram como mesários no dia do pleito. Como o IP ainda não foi concluído, não se sabe se foi confirmada a suspeita de prática de coação eleitoral (art. 301 do Código Eleitoral) e se haverá indiciamento de algum suspeito.
E o que mudou?
No segundo semestre deste ano será realizada uma nova eleição, a segunda desde que os fatos foram denunciados.
De acordo com o secretário Rafael Pacheco, titular da Sejus, independente da conclusão do inquérito da PF, foram adotadas medidas nas unidades prisionais, com destaque para a da Serra. O objetivo, destaca, foi a garantia do processo eleitoral em 2024, o primeiro após as denúncias.
“Fizemos um processo de conhecimento e conscientização dos policiais penais sobre a importância do comportamento ético, principalmente no momento eleitoral. Trabalho semelhante foi realizado com os presos que estavam em condições de exercer o voto”, relata.
Em paralelo, o CDP da Serra também recebeu um reforço na fiscalização das seções eleitorais. “Equipes da própria unidade, e que são dignas de confiança, com o apoio de profissionais de outras unidades, que permitiram criar as garantias necessárias à lisura do processo eleitoral”, relatou o secretário.
Mais prazo para inquérito
Por nota o Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio da 26ª Promotoria Eleitoral da Serra, informa que a investigação, apontada como complexa, ainda está em andamento.
Acrescenta que no final de novembro do ano passado, o Ministério Público Eleitoral manifestou-se favorável ao pedido da Polícia Federal para prorrogação do prazo de conclusão do inquérito, concedido até abril.
“Como o procedimento ainda não foi concluído, não há indiciamento formal e não é possível detalhar número de investigados, tipificações penais ou eventuais acusações”, informa o texto, assinalando que a preservação do sigilo no processo é necessária para garantir a eficácia das diligências. “Após a conclusão do inquérito serão adotadas as providências cabíveis”, finaliza o MP.
Atualização
16/01/2026 - 1:58
O texto foi atualizado com as informações enviadas pelo Ministério Público Eleitoral.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.