Era madrugada de 7 de abril de 2024
quando um veículo colidiu contra um muro na Avenida Norte Sul, na Serra. O acidente foi o resultado de pelo menos 9 condutas graves cometidas pelo motorista horas antes da tragédia que tirou a vida de duas universitárias de 19 anos e deixou duas outras pessoas feridas.
Foi a conclusão do delegado Maurício Gonçalves da Rocha, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, que conduziu o inquérito. “Foi um dos casos mais violentos e de maior gravidade que investiguei”, resume.
Rocha aponta que no acidente foram cometidas todas as “barbaridades que poderiam ser evitadas”. E elenca as 9 condutas que aponta como fatais:
As informações estão presentes na conclusão do inquérito. "O motorista fez todas as escolhas que causaram o acidente. O que aconteceu foi um crime cuja arma foi o carro”, assinala Rocha.
No veículo estavam Luma Alves da Silva e Natiele Lima dos Santos, ambas com 19 anos, mortas de forma brutal. Tiveram lesões graves Luan Alves da Silva e Arthur Barbosa dos Santos.
O caso é um exemplo do quanto o desrespeito à legislação e às regras de trânsito pode ser nefasto. Só no ano passado, 984 pessoas perderam suas vidas em acidentes. Número que supera em 13,4% o volume de assassinatos no Estado — foram 852 em 2024, segundo dados da última sexta-feira (18).
Rocha avalia que a legislação é branda em relação a crimes de trânsito. No caso de Daniel, observa que ele foi indiciado por homicídio, da mesma forma que alguém que atira e mata uma pessoa. “É o mesmo artigo, mas não vejo a mesma resposta pública quando este tipo de crime envolve um acidente. Os pedidos de prisão nem sempre são deferidos, por exemplo”, pondera.
Fato citado na finalização do inquérito, onde foi dito que a "sociedade clama por justiça". "Espera das autoridades competentes uma resposta responsável e coerente, para que crimes e comportamentos desta natureza não se tornem uma constante em nosso Estado".
Ela teve a função de denúncia, tradicionalmente apresentada pelo Ministério Público e aceita pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Serra. Foi movida diante da inércia da 7ª Promotoria Criminal da Cidade, que deixou o processo paralisado por mais de 90 dias, sem nenhuma manifestação. Fato reconhecido pela justiça local.
Com a demora, pontos da conclusão do inquérito policial não chegaram a ser analisados. Além de indiciar Daniel por dois homicídios e duas tentativas de assassinato, foi solicitada a suspensão de sua habilitação e a sua prisão preventiva. Foi destacado na conclusão do inquérito que o motorista "representa sério risco ao sistema viário, a sociedade".
O advogado de defesa de Daniel não foi localizado, mas o espaço segue aberto a sua manifestação.