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Operação Oportunittà

CAC preso no Rio vendia arma e munição para facção criminosa no ES

Arsenal era enviado para regiões do Rio de Janeiro e para o Bairro da Penha, em Vitória, áreas sob influência do Comando Vermelho

Publicado em 24 de Fevereiro de 2025 às 03:30

Públicado em 

24 fev 2025 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

CAC
Crédito: Arte - Camilly Napoleão
Um homem com registro de CAC (caçador, atirador e colecionador de armas) estava abastecendo facções criminosas com armas, acessórios e munições de diversos calibres, algumas de alto poder destrutivo. Além do Comando Vermelho (CV), no Rio, o material também estava sendo fornecido para grupo aliado no Espírito Santo, o Primeiro Comando de Vitória (PCV). As negociações eram pagas via pix ou com dinheiro depositado em contas bancárias.
Mayke Queiroz da Silva foi preso em setembro do ano passado, em Nova Iguaçu, no Rio, na segunda fase da Operação Oportunittà, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-ES), criada pela Polícia Federal.
A atuação dele surgiu nas investigações das atividades do PCV,  na primeira fase da operação. Em uma das conversas, obtidas a partir de celular apreendido, há a negociação para a compra de 20 caixas de munição, ao custo de R$ 11 mil.
O material seria destinado a um traficante capixaba que já figurou na lista dos mais procurados. Trata-se de Leonardo Elesiário Neves, conhecido como Bebezão, preso no final de 2023. A compra foi viabilizada por um intermediário, que chega a informar que não teria dinheiro no pix e que precisaria realizar o depósito em espécie. Em outras situações o pagamento foi enviado até para a conta de uma loja da esposa de Mayke.
Há outras negociações em que aparece o registro de uma pessoa  com o apelido de “Capixaba”. A ele é oferecido um carregamento de 500 caixas de munição para AR, ao preço unitário de R$450 reais, o que totalizaria R$ 225 mil. Outra possível ligação com o Espírito Santo veio de um pagamento  feito por intermédio de uma pessoa de Cachoeiro.
O CAC contaria com o apoio que seria o responsável por entregar a mercadoria aos destinatários e recolher o pagamento. Nos diálogos entre os dois são citadas as regiões onde comercializam, lugares conhecidamente dominados pelo Comando Vermelho. São eles:
  • Bairro da Penha, Vitória, ES
  • Morro do Trem (Vila Kosmos) - RJ
  • Complexo do Alemão (CPX) - RJ
  • Parque da União (PU)  - RJ
  • Nova Holanda  - RJ
Segundo a investigação, o CAC tinha plena “ciência de que fornecia acessórios e munições de diferentes calibres para membros de organizações criminosas envolvidos com o tráfico de entorpecentes”.
É apontado que havia interesse e capacidade dele para financiar as atividades das organizações criminosas com quem realizava transações visando o fornecimento ilegal de munições e acessórios. É citado como exemplo o fato de que a dívida que o Capixaba possuía com ele aumentou em quase 20 mil reais em menos de uma semana.

Histórico

Junto ao Exército, responsável pelo registro dos CACs, foi identificado que Mayke adquiriu 62.020 munições. As compras foram realizadas em um período de 602 dias, entre 2 de agosto de 2022 até 26 de março do ano passado, o que representa o uso de aproximadamente 103 munições por dia.
Só em um dia, segundo as investigações, foram compradas mais de 4 mil munições. A maior parte do material era para uso em pistolas e fuzis. Compras feitas de fontes diversas. Também foi identificado que ele tinha em seu registro 13 armas , inclusive de uso restrito.
Na busca e apreensão realizada na casa dele foram localizadas e apreendidas mais de mil munições de diversos calibres, 8 pistolas, 2 revólveres, 2 fuzis  e 31 carregadores, além de artefatos balísticos variados. Material que, para os investigadores, fortalecem os indícios de comercialização ilegal.
No dia ele tentou ocultar provas, arremessando celulares na casa do vizinho. Os aparelhos foram recuperados e apreendidos por policiais.
Também chamou a atenção o patrimônio do CAC, que inclui empresas, motos, consórcio e imóvel em construção. Em uma das conversas obtidas em seu celular, ele revela a intenção de adquirir um imóvel na Paraíba. E ainda convida uma liderança do Comando Vermelho a passar uma temporada no local.
As defesas de Mayke e de Leonardo não foram localizadas, mas o espaço segue aberto para a manifestação de seus advogados.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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