Nos três primeiros meses deste ano foram apreendidas 978 armas no Espírito Santo, o que equivale a um recolhimento de 11 por dia. O total é menor do que o mesmo período do ano passado, quando foram retiradas das ruas 1.027.
Os registros do Observatório da Segurança Pública indicam que as pistolas, revólveres e espingardas concentram o maior volume de recolhimentos (77%). Mas em volume menor (758) em comparação ao primeiro trimestre de 2025 (826).
Mas para outros cinco tipos de armamentos houve crescimento nas apreensões. São eles:
Armas caseiras de cano longo - 250%
Arma de pressão modificada - 125%
Canhão de caça - 166,7%
Fuzil - 75%
Metralhadora - 54,5%
Carabina - 18,2%
Na Grande Vitória, houve aumento nos registros em três cidades: Cariacica (3,8%), Viana (33%) e Vitória (72,1%). Só na Capital, foram localizadas 74 armas, contra 43 do mesmo período no ano passado, em 30 bairros.
No interior, algumas cidades se destacam com um percentual maior de recolhimento destes equipamentos. São elas: Afonso Cláudio e Marechal Floriano (400%); Conceição da Barra (214,3%); Nova Venécia (177,8%); e Baixo Guandu (71,4%).
Abaixo você confere a lista dos armamentos encontrados em ações realizadas em 69, dos 78 municípios capixabas:
Pistola - 353
Revólver - 270
Espingarda - 135
Submetralhadora - 60
Garrucha - 40
Armas caseiras de cano longo - 28
Arma de pressão modificada - 18
Metralhadora - 17
Carabina - 13
Rifle - 13
Armas caseiras de cano curto - 11
Canhão de caça - 8
Fuzil - 7
Escopeta - 2
Garruchão - 2
Arma de pressão - 1
O IMPACTO
As armas de fogo foram usadas em 71,9% dos 214 homicídios registrados no Espírito Santo nos três primeiros meses deste ano, segundo informações do Observatório da Segurança Pública.
Outro levantamento, realizado pelo Instituto Sou da Paz, com base em dados da saúde, mostra que sobreviver à violência armada no Brasil tem impactado de forma expressiva o Sistema Único de Saúde (SUS).
Nos últimos dez anos (2015-2024), foram gastos mais meio bilhão de reais em recursos federais com internações de vítimas.
Só em 2024, foram 15,8 mil internações hospitalares no Brasil, que consumiram R$ 42,3 milhões. Na Região Sudeste — que no período concentrou 33% do total de internações —, o Espírito Santo (ES) se destaca por registrar as maiores taxas de hospitalização decorrente de ferimentos por arma de fogo.
Enquanto a taxa média no Brasil foi de 7,4 por 100 mil habitantes, por aqui se registrou 9,6 internações/100 mil habitantes. E bem acima ainda do desempenho do Sudeste como um todo, cuja média regional foi de 5,8/100 mil habitantes no mesmo ano.
Quando a comparação é feita em relação ao Brasil, o Espírito Santo está entre os 11 estados com as mais altas taxas de internações, segundo o estudo “Custos da violência armada”, que analisou ainda a letalidade com dados consolidados até 2023.
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