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Capixabas vão poder pedir socorro ao Ciodes até por redes sociais

As mudanças fazem parte das atualizações do centro de atendimento de urgência,  que completa 20 anos este mês, e que reúne as forças de segurança

Publicado em 22 de Julho de 2024 às 03:30

Públicado em 

22 jul 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

ciodes
Crédito: Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
Vinte anos após ser criado, o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) vai passar a receber os pedidos de ajuda emergencial à polícias, bombeiros e ao Samu até por redes sociais. As mudanças estão previstas para meados do próximo ano e fazem parte de um conjunto de ações que envolvem a modernização e ampliação dos serviços, com a integração de novos órgãos e forças policiais.
“Nos precisamos ampliar as possibilidades de acionamento para além do 193, lançando mão de ligações VoIP (pela internet), videochamada e até redes sociais. São recursos que podem garantir mais agilidade ao atendimento para o cidadão”, explica André Có, coronel dos Bombeiros e subsecretário de Comando e Inovação, pasta responsável pela Ciodes na Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).
Pelo menos um destes recursos já está sendo posto em prática. É o caso das videochamadas, utilizadas com a comunidade surda. “Um atendimento por vídeo, bilíngue (linguagem de libras), também com legenda. No México este tipo de ligação já é utilizada até nos casos de urgência, onde o médico já começa a passar orientações durante o chamado”, explica o subsecretário.
A maior mudança, no entanto, virá com a reunião de toda a tecnologia empregada na segurança pública em um único espaço, sob a tutela do Centro Integrado de Defesa Social (Cedes). Dele fará parte, além do Ciodes, um Centro de Comando de Controle — destinado a eventos extremos, como enchentes, incêndios, eleições, entre outros — e a administração da Sesp.
Segundo André Có, já há um projeto concluído. "Estamos viabilizando recursos junto ao Banco Mundial, através de financiamento, para a construção de um novo prédio na Avenida Leitão da Silva”, explica.
Ele acrescenta que tem recebido constantes pedidos para que novos órgãos e forças policiais possam integrar o Ciodes, que atualmente conta com poucos espaços disponíveis. O projeto, iniciado em 2004 com a participação da Polícia Militar, Polícia Civil e Bombeiros, hoje reúne também a Guarda Municipal de Vitória, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases).
“Precisamos incluir as polícias Científica e a Penal e temos pedidos de outros órgãos, como as guardas das demais cidades da Grande Vitória, o Samu, Detran, Fazenda, Turismo, Receita Federal, Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, entre outros”, acrescenta André Có.
A expectativa é de que o novo prédio possa garantir espaço para estas agências. O local irá abarcar tecnologias  como cerco eletrônico e outras que vão ser usadas em breve, como o reconhecimento facial e o as câmeras de corpo. Estão ainda em negociações com o Google para obter aplicativos para traçar com mais rapidez as rotas para as viaturas da polícia e dos bombeiros, além das ambulâncias.
“Precisamos ter espaço inclusive para armazenamento de todas as informações e, na sequência, aumentar o poder de processamento para atuação da inteligência artificial, que ajudará a localizar os dados. Temos que nos preparar para aumento de volume de arquivos e de processamento”, observou o subsecretário.

O início

Nos últimos 20 anos, o Ciodes recebeu mais de 54 milhões de ligações, cerca de 7,5 mil por dia. Do total, cerca de 40% geraram ocorrências variadas. Este ano, até a última quinta-feira (18) já tinham sido computadas 1.498.897 ligações. O volume de trotes gira em torno de 5,2%.
No local são recebidos contatos que chegam via 190 (PM), 193 (Bombeiros), 191 (PC) e 197 (PRF). Apenas as do Samu (192) ainda não foram integradas. “Não interessa de qual número a pessoa ligou ou de qual ponto do Estado, será atendido por nossa equipe, no máximo, no segundo toque”, explica o diretor do Ciodes, coronel Marcelo Correa Muniz.
Muniz chegou a trabalhar, ainda como capitão, quando o antigo Copom da PM era o local para onde as pessoas ligavam em busca de atendimentos variados. “Era uma equipe pequena, com 3 a 4 posições telefônicas, para atender toda a Grande Vitória. A demanda reprimida era muito grande, alguns nem conseguiam atendimento. Hoje nossa média de tempo de espera, em 2024, é de 1 segundo”, relata.
Ao longo dos anos ele acompanhou as mudanças e a integração das forças de segurança e até de outros órgãos, e a ampliação do Ciodes para o Norte e Sul do Estado. “O que tornou o trabalho muito mais eficiente, com a agregação de outros serviços. Antes não tínhamos o Samu e as pessoas pediam socorro médico para a viatura policial”.
O que não mudou foi o perfil dos crimes: furto e roubo; tráfico, acidentes de trânsito e homicídios. “A realidade hoje é muito melhor, principalmente porque temos tecnologias como o cerco inteligente, o alerta vermelho para as situações de gravidade. Continuamos na vanguarda com o atendimento integrado, o que não se vê em outros estados”, destaca.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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