Após diversas tentativas ao longo de um ano, os rivais conseguiram por fim a vida de João Vitor da Silva Guimarães, 22 anos. Foi a cartada final que garantiu à
Tropa do Urso a hegemonia na atuação criminosa em Colatina, ao eliminar em uma emboscada a liderança do principal grupo de resistência. A cidade, com pouco mais de 120 mil habitantes no Noroeste do Espírito Santo, segundo o Censo de 2022, tem pelo menos dez bairros sob domínio do tráfico.
Após tentativas frustradas, algumas até com mortes de terceiros e integrantes de seu grupo, a "Tropa do Urso" armou uma emboscada para João Vitor. Infiltrou na organização dele, com a ajuda de um traidor, uma pessoa de Jaguaré. Ele conseguiu fazer amizades no local e convencer o líder da Tropa do Nono e alguns de seus amigos a participar de um ritual religioso.
Eles foram para o local sem armas, ao contrário do infiltrado, que aproveitou a oportunidade e matou João Vitor no dia 28 de novembro de 2024 com três tiros, no bairro Carlos Germano Naumann. Pelo menos mais uma pessoa foi ferida na ocasião.
Após a morte, o TCP ficou fragilizado na cidade, relata o delegado Deverly Pereira Junior, titular da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Colatina.
Com o enfraquecimento dos rivais, sob o custo de muitas mortes — incluindo de seus integrantes até em confrontos com a polícia —, e intimidação contra potenciais adversários, a Tropa do Uso conseguiu reduzir a resistência e conquistar a hegemonia criminosa na cidade.
Hoje os principais conflitos ocorrem dentro da própria organização, com a cobrança de dívidas e infidelidade entre os integrantes, que pegam drogas de outros grupos para vender.
Do Rio, onde se escondem, comandam o tráfico por intermédio, na maioria das vezes, de chamada de vídeo.
Foi o artifício que encontraram para manter a prática do Comando Vermelho de que as principais decisões precisam ser acompanhadas de perto pelas lideranças da facção ou grupo criminosos. Como estão foragidos, usam a tecnologia para coordenar a venda de drogas e até as execuções.
É uma atuação, segundo as forças de segurança locais,
que tem mudado o perfil da criminalidade, com aumento no número de homicídios, execuções, invasões de casas seguidas de morte, ataques mais violentos por expansão de território, uso de armamento mais pesado, maior volume de drogas e intercâmbio de criminosos. Um deles matou o principal rival do grupo.