Crime de miss no ES: advogados travam batalha por novas provas para júri
Disputa
Crime de miss no ES: advogados travam batalha por novas provas para júri
Uma das solicitações atendidas pela Justiça foi a de que o médico acusado pelo crime poderá prestar depoimento nesta quarta-feira (21) por videoconferência
Publicado em 21 de Maio de 2025 às 03:30
Públicado em
21 mai 2025 às 03:30
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Em decisão da tarde desta terça-feira (20), o Juízo da Primeira Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri, fez um resumo dos pedidos: 12 petições apresentadas pela defesa do médico, 10 apresentadas pelo assistente de acusação (que representa a família da vítima) e 3 pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), autor da denúncia.
Entre as mais recentes há solicitações que se destinam a impedir que o adversário tenha acesso a algum tipo de material ou pedir acesso que teria sido negado a alguma outra prova. E ainda aquelas para acrescentar material, como conversas, exames, fotografias, mapas e até simulações visuais para ilustrar cenários aos jurados.
Um dos pedidos foi para que o médico pudesse prestar depoimento por videoconferência, sob o argumento de que apresenta problemas de saúde, o que foi concedido.
Uma das novidades é que o júri se iniciará com o interrogatório do réu, diretamente, já que não há testemunhas das partes — defesa e acusação — a serem ouvidas. Na sequência haverá as apresentações aos jurados a serem feitas pelo Ministério Público, partilhando o tempo com o assistente de acusação, e pela defesa do médico.
O crime
O corpo da jovem foi localizado no dia 7 de junho de 2015 por bombeiros voluntários. Ela estava em um carro submerso em um rio próximo ao distrito Alto Rio Posmosser, zona rural de Santa Maria de Jetibá.
O caso, inicialmente, foi apontado como acidente, mas dias depois se descobriu ser um crime, praticado pelo ex-companheiro dela, o médico Celso Luís Ramos Sampaio, à época com 59 anos.
Na avaliação do MPES, foi um crime premeditado, de violência contra a mulher. Em nota enviada no mês de março, quando o julgamento foi adiado, foi informado:
“O autor do fato, valendo-se de sua condição de médico, utilizou de medicamento de uso controlado para poder dopar a vítima, agrediu-a violentamente com um objeto contundente na região da nuca, causando sua morte, e, para forjar um acidente, colocou-a em um carro, em uma estrada do município de Santa Maria de Jetibá”.
Em razão da grande repercussão que o caso teve, à época, o julgamento foi transferido para Vitória.
Na decisão de pronúncia do Juízo da 2ª Vara de Santa Maria de Jetibá — que encaminhou Celso para o banco dos réus — foi informado: “As provas contidas nos autos (processo) demonstram que o relacionamento amoroso do acusado com a vítima era muito conturbado, marcado por idas e vindas, bem como por traições recíprocas”. E que uma delas teria sido o estopim.
A mesma decisão, baseada nas informações da denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), aponta que o crime foi planejado pelo médico, desde a escolha do local de descarte do corpo, ida a restaurantes e bares como álibi, ao hospital onde trabalhava e onde a vítima foi dopada.
Deixou ainda rastros pelas câmeras da cidade por onde passou, o que ajudou a polícia a montar a cronologia das ações na finalização do inquérito.
Outro ponto citado na decisão que encaminhou Celso para julgamento vem do fato de que ele estava cumprindo pena de 16 anos de reclusão por outro crime. “Já foi condenado pela prática de um homicídio culposo e um homicídio doloso de forma qualificada”.
E finaliza informando que as circunstâncias expostas no processo levam a crer que existem indícios de que o médico está envolvido na morte da vítima. “Devendo, por conseguinte, o caso ser apreciado pelo egrégio Tribunal Popular do Júri”, foi dito na decisão de pronúncia.
A defesa do médico não foi localizada, mas o espaço segue aberto à sua manifestação.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.