Nos dois casos eles lançaram mão de recursos e tecnologias que, além de revelar envolvidos nos atos criminosos, ajudaram a compreender como os fatos ocorreram. No primeiro, do grupo "La Liga", eles usaram de redes sociais a medição de passos por sensor telefônico para chegar a identificação dos criminosos.
Já no assassinato do jovem de 20 anos, filho de Patrícia Crizanto, vereadora de Vila Velha, eles conseguiram separar trechos das imagens de um vídeo, permitindo entender a dinâmica do crime e quem de fato havia atirado em Pedro.
De acordo com o promotor Rodrigo Monteiro, que atua nos dois casos, há a possibilidade de que as ferramentas e as técnicas adotadas pela equipe do Rio sejam trazidas para o Estado. Relata que visitou a unidade acompanhado de outros quatro promotores, incluindo Francisco Berdeal, que vai assumir em maio a chefia do MPES.
“Fomos conhecer o trabalho desenvolvido por eles em uma visita técnica e há uma conversa avançada no sentido de trazer estas ferramentas para o Espírito Santo”, informou Monteiro, que atua na 14ª Promotoria Criminal e no Tribunal do Júri, ambos em Vitória.
No crime de Pedro Henrique, o trabalho que subsidiou a abertura de nova investigação pela Polícia Civil, a pedido do MPES, foi feito a partir da análise de um vídeo produzido no Sambão do Povo, no dia 1º de fevereiro, por volta das 22h50. As imagens mostram o registro de uma briga, em meio a um aglomerado de foliões em ambiente aberto, quando um disparo é ouvido e na sequência a dispersão das pessoas.
Foi feita uma análise quadro-a-quadro das imagens nos momentos em que foi registrada a confusão que resultou no assassinato do jovem. O resultado do trabalho foi taxativo: “O disparo não foi realizado pela pessoa de camiseta branca”. A pessoa citada é o menor apreendido que confessou ser o autor do disparo, sem de fato ter matado a vítima. Ele foi sentenciado por ato infracional análogo ao homicídio.
Na sequência tem-se a informação sobre o autor do crime: “A pessoa de camiseta amarela apresenta movimento corporal indicativo de ser o autor do disparo”. Trata-se da terceira pessoa envolvida na briga que resultou no crime. Após o tiro, Pedro vai ao chão, morto. Os outros dois correm em sentidos contrários. O menor foi apreendido um mês após o homicídio. O novo suspeito já foi identificado pela polícia, mas já está preso por outros crimes.
No caso da "La Liga", o grupo denunciado pelo MPES por atuar como milícia, e cujo trabalho desenvolvido pela equipe do Rio ajudou a identificar,
guarda semelhanças com séries norte-americanas, no estilo CSI. Na ocasião foram utilizadas imagens de videomonitoramento de Vitória, das redes sociais, o Google Maps, a medição de passos por sensor telefônico, identificação biométrica entre outros recursos para identificar os membros da organização criminosa e provar sua atuação.
Foram feitas comparações biométricas com imagens do dia do crime e das redes sociais dos acusados. Um deles foi identificado pelos padrões da nuca e orelha. Em outro caso, o jeito de andar foi determinante para o reconhecimento. Até o desgaste do teto de um carro não passou despercebido e a confirmou que ele foi utilizado no crime.
Veja abaixo vídeo produzido a partir de imagens de câmeras de monitoramento de Itararé, bairro onde ocorreu um dos crimes.