A força-tarefa que envolveu 9 membros do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e 97 policiais, foi realizada por meio da Procuradoria-Geral de Justiça e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Central e Norte), com o apoio da Polícia Militar.
Dois advogados são procurados por força-tarefa que prendeu juiz
Questionado sobre o cumprimento dos mandados de prisão, o MPES confirmou que os dois advogados não foram localizados. Por meio de nota, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) afirmou que essas pessoas foram consideradas foragidas (veja no final do texto).
Para outras nove pessoas foram determinadas medidas restritivas, com o uso de tornozeleira, que abrange outro magistrado. Do grupo, só três foram tornozelados. Não há informações sobre os outros seis. Confira a situação dos dois grupos
Receberam mandado de prisão:
Bruno Fritoli Almeida - juiz - detido no Presídio do Quartel da Polícia Militar
Ricardo Nunes De Souza - advogado - Encaminhado para a Penitenciária de Segurança Média I
Veldir José Xavier - Foi para o Centro de Detenção Provisória de Viana II
Victor Hugo De Mattos Martins - Encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Viana II
Mauro Pansini Junior - empresário - Encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Viana 2 (CDPV2)
José Joelson Martins De Oliveira - advogado - Não localizado
Vicente Santório Filho - advogado - Não localizado
Receberam medidas cautelares diversas da prisão:
Luana Esperandio Nunes De Souza - com tornozeleira
Os desembargadores do pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em reunião na tarde desta quinta-feira (1º), decidiram manter o afastamento dos dois juízes de suas funções, assim como as decisões de prisão para Fritoli e tornozeleira para Camatta Rangel.
O que dizem as defesas
Na tarde desta sexta-feira (02) foram realizadas as audiências de custódia dos que estão detidos. O advogado Rafael Lima, que faz a defesa do juiz Fritoli, informou que ele permanece detido, e reafirmou que "os fatos serão esclarecidos em momento oportuno".
Disse ainda que Fritoli "atua como magistrado há mais de uma década, sempre com lisura e responsabilidade". E que está "confiante da índole de Bruno durante sua carreira no Judiciário", informando ainda que seguirá acompanhando o desenrolar do caso e atuando, com os instrumentos da lei, por sua inocência.
A prisão do advogado Ricardo Nunes também foi mantida. Mas a Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), solicitou para ele a prisão domiciliar ou a transferência para o quartel de Maruípe, onde o juiz está preso. O argumento é de que os dois devem ter o mesmo tratamento.
Hugo Miguel Nunes, coordenador criminal da comissão de Prerrogativas da OAB-ES, informou que também acompanhou a audiência. “Vamos tomar todas as medidas necessárias para garantir que as prerrogativas do advogado não sejam violadas”, informou.
Por nota, o advogado de Luam Gilberti Marques, informou que ainda não teve acesso ao processo e que desconhece qualquer acusação em desfavor de seu cliente. “Temos a absoluta certeza de que os fatos ali aventados serão devidamente apurados, esclarecidos e, acima de tudo, rechaçados em momento oportuno, tudo sob a ótica do devido processo legal e consubstanciado na segurança da ampla defesa”, disse.
Por nota, o advogado Jonatan Schaider, que faz a defesa de Hayalla Esperandio, informa que seu cliente “está colaborando com as investigações, sem criar nenhum empecilho aos trabalhos dos agentes públicos”. Acrescenta que ele prestou depoimento na segunda-feira (5), “onde pode responder todas as perguntas do magistrado, da Procuradoria Geral de Justiça, quando esclareceu os fatos em sua integralidade”. Finalizou informando que ele está sempre “à disposição da Justiça para esclarecer qualquer dúvida”.
As defesas de José Joelson e de Vicente Santório, assim como as dos demais citados (presos e alvos de mandados de restrição) não foram localizadas, mas o espaço segue aberto para se manifestarem.
O que diz o TJES
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo informa que nesta sexta-feira (2) "foram realizadas as audiências de custódia dos investigados que foram presos na Operação “Follow The Money”.
Na ocasião, foram analisados os aspectos ligados à legalidade e à necessidade dos decretos prisionais e ao respeito aos direitos fundamentais dos investigados, tendo sido mantidas todas as prisões preventivas.
Registra-se que dois investigados encontram-se foragidos e que tão logo sejam cumpridos os respectivos mandados de prisão serão submetidos à audiência de custódia."
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.