Empresas investigadas pela PF venderam R$ 20 milhões em remédios ao ES
Revenda
Empresas investigadas pela PF venderam R$ 20 milhões em remédios ao ES
Fazem parte de cinco grupos investigados por suposto esquema de corrupção e desvio de medicamentos retirados do estoque dos hospitais e vendidos
Publicado em 14 de Fevereiro de 2025 às 03:30
Públicado em
14 fev 2025 às 03:30
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Arte: Camilly Napoleão com Adobe Firefly/PF
Os cinco grupos empresariais que foram alvos de operação da Polícia Federal por suposta corrupção e desvio de recursos públicos, nesta quinta-feira (13), venderam a unidades hospitalares e de assistência à saúde pública do Espírito Santo um total de R$ 20 milhões em medicamentos desde 2019. Parte destes produtos foram entregues e, posteriormente, recolhidos do estoque das farmácias de forma criminosa.
De um dos hospitais já se sabe que foi retirado, a pedido de uma das empresas e com autorização de um servidor, um volume que totaliza cerca de R$ 3,8 milhões. Material que não foi reposto e que foi alvo, nesta quinta-feira (13) de bloqueio de bens.
Mais de uma dezena de empresas estão ligadas aos cinco grupos, alguns localizados em Vila Velha. Só no ano passado, segundo o site da Transparência do governo estadual, elas assinaram contratos no valor de R$ 17 milhões, que estão ativos.
Os documentos mostram que forneciam medicamentos e insumos para grandes hospitais do Estado localizados na Grande Vitória e em vários municípios do interior, como o Silvio Avidos, em Colatina; o Roberto Silvares, em São Mateus; o Antonio Bezerra de Farias, em Vila Velha; Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória; entre outros.
E ainda há vendas registradas para corporações, como as polícias militar e civil, o corpo de bombeiros, além de secretarias de Estado, como as da Saúde e a da Justiça. A lista inclui até hospitais privados que oferecem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
As investigações tinham se iniciado um ano antes, após a localização de um bilhete com o pedido de pagamento de propina, o que indicava indícios de um possível esquema de corrupção, com favorecimento ilegal em licitações. Foram descobertos diálogos suspeitos entre servidor público e empresários fornecedores de materiais hospitalares e medicamentos.
Segundo a Polícia Federal, durante as apurações foram obtidos mais dados de que, com a conivência do agente, os empresários usavam a central de abastecimento farmacêutico do hospital público como extensão de seus estoques, retirando materiais para vender novamente a outros clientes.
Nesta quinta-feira (13) foi realizada outra fase, com a Operação Anomia, que contou com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU) e de uma cooperação técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES).
Não houve prisão, mas foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Vitória e Cariacica, bem como no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP), expedidos pela Justiça Federal de Vitória. Houve ainda 26 ordens de sequestro/bloqueio de bens.
A ação envolveu 157 policiais federais e 5 auditores da CGU. Os nomes dos investigados e das empresas não foram divulgados porque a investigação ainda não foi concluída.
O que diz a Sesa
Por nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que o servidor cuja participação foi apontada no esquema do desvio foi exonerado desde a deflagração da Operação Manuscrito, em 2024. “Foi realizada uma auditoria interna na unidade hospitalar para tornar mais eficientes e transparentes os processos de compras da Central de Compras e estoque da Farmácia do hospital”.
Acrescentou ainda que as empresas envolvidas no caso estão respondendo processos administrativos junto à Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont).
“A Sesa reafirma seu compromisso com a transparência e a legalidade que regem a gestão pública, colocando-se à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com a investigação em curso, fornecendo todas as informações e documentos necessários”.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.