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Custo da sobrevivência

ES tem a maior taxa de internações por arma de fogo no Sudeste

Dados foram levantados em estudo realizado pelo Instituto Sou da Paz, que constatou  serem os adolescentes e jovens negros as principais vítimas da violência

Publicado em 18 de Dezembro de 2025 às 08:00

Públicado em 

18 dez 2025 às 08:00
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Armas - Polícia Federal
Crédito: Arte Camilly Napoleão com Adobe Firefly
O custo de sobreviver à violência armada no Brasil tem impactado de forma expressiva o Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos dez anos (2015-2024), foi gasto mais meio bilhão de reais — R$ 556 milhões — em recursos federais com as internações de vítimas, revela estudo realizado pelo Instituto Sou da Paz.
Só em 2024, foram 15,8 mil internações hospitalares no Brasil, que consumiram R$ 42,3 milhões. Na Região Sudeste, o Espírito Santo se destaca por registrar a maior taxa de hospitalização decorrente de ferimentos por arma de fogo.
Enquanto a taxa média no Brasil foi de 7,4 por 100 mil habitantes, por aqui  ela alcançou 9,6 internações/100 mil habitantes. Um patamar bem acima ainda da média do Sudeste (5,8/100 mil).
Os estados vizinhos, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, apresentaram taxas bem inferiores no ano de 2024, registrando 7,2; 7,1 e 4,4; respectivamente. Quando a comparação é feita em relação ao Brasil, o Espírito Santo está entre os 11 estados com as mais altas taxas de internações.
Em 2023, essa diferença era ainda mais marcante: em terras capixabas foram 11,9 internações por 100 mil habitantes, superando a taxa nacional (7,7 por 100 mil). 
Mas apresentar taxas elevadas em uma região que apresentou redução das internações (Sudeste), não significa necessariamente que vivemos em um estado mais violento. O que o dado pode indicar é que há uma pressão contínua e alta sobre o sistema de saúde local devido à violência armada e uma dinâmica um pouco menos letal.
Foi analisado ainda a letalidade com dados consolidados até 2023. Como a maioria dos estados brasileiros, por aqui tivemos uma taxa de óbitos por arma de fogo (21,9 por 100 mil) significativamente superior à taxa de internações (9,66 por 100 mil). Nacionalmente,  os óbitos permanecem cerca de duas vezes maior que o de internações.

Os custos e o perfil das vítimas

O estudo identificou que em 2024, o SUS desembolsou mais de R$ 42,3 milhões para custear internações para tratamento de lesões provocadas por arma de fogo, cobrindo tanto despesas com leitos quanto com procedimentos realizados durante a hospitalização.
O valor médio de cada internação chegou a R$ 2.680, sendo 2,6 vezes maior do que o gasto federal médio com saúde per capita. E seu custo médio é cerca de 80% maior do que os gastos com as internações causadas por agressões com objeto cortante/penetrante e por agressão física, tipos mais frequentes ao lado da arma de fogo.
Também chama a atenção o perfil das pessoas internadas e que reforça as desigualdades sociais:
  • 89% são homens
  • 82% são pessoas negras
  • 52% são jovens e adolescentes
É a partir da faixa de 15 a 19 anos que as internações começam a aumentar, e chegam ao pico na faixa de 20 a 29 anos.
Os dados estão na 3ª edição da pesquisa “Gastos da saúde pública com atendimento de vítimas de arma de fogo”, foi realizada pelo Instituto Sou da Paz, com informações do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) atualizadas até 2024. A 1ª e 2ª edições do estudo são de 2021 e 2023.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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