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Operação Trash Bag

'Esquema de morte' e 'braço do crime': as revelações sobre policial no ES

A Justiça aceitou denúncia contra policial penal que está preso; novas investigações apontam que ele vendia armas, munições e coletes para criminosos

Publicado em 25 de Setembro de 2024 às 03:30

Públicado em 

25 set 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

figa
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Adobe Firefly/Microsoft Designer
Novas investigações revelam que o policial penal denunciado por esquema de morte em presídio seria ainda o “braço direito do crime” em Viana. Entre as ações em que ele seria suspeito está o recolhimento semanal de dinheiro dos pontos de vendas de drogas, venda de armas, munições e até coletes que pertenceram ao serviço público, a um preço de R$ 1,8 mil cada, para os envolvidos em atividades criminosas.
Até o início de agosto ele atuava como chefe de segurança da Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), quando foi preso com uma liderança do tráfico de Viana, integrante do Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os dois são acusados de planejar vários crimes, incluindo um esquema para matar um preso dentro da unidade e que seria rival do traficante.
Na tarde desta terça-feira (24), a 1ª Vara Criminal de Viana aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) contra o policial penal Ralph Brito Guimarães e Willian de Oliveira de Abreu, o Tuzinho. Os dois são agora réus em ação penal.
Ralph chegou a ser preso na primeira fase da Operação Trash Bag, por porte ilegal de arma de fogo. Dias depois ele foi liberado. Mas voltou a ser preso preventivamente em agosto.
Segundo denúncia do MPES, a arma apreendida seria entregue a um detento, dentro da Máxima II, para que executasse um outro prisioneiro. A morte encomendada era de um rival de Tuzinho. “Ralph receberia em torno de R$ 1 milhão pela entrada da arma na unidade prisional”, informa o texto do MPES.
Com a continuidade das investigações, o Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (Getep) do MPES, apurou ainda que ele é suspeito de ser integrante de um grupo criminoso.

Braço direito do crime

Segundo relato em decisão da 1ª Vara Criminal de Viana, que autorizou mais uma etapa da Operação Trash Bag nesta terça-feira (24), o policial penal atuaria como uma espécie de “braço direito do crime” em Viana, com destaque para o bairro Industrial.
Na região há venda de drogas comandada pelo grupo denominado “Tropa do BI”, com ligações com o PCV. O policial penal supostamente atuaria como segurança. Com o passar do tempo foi assumido outras funções, como o recolhimento de valores decorrentes da venda de drogas em pontos do bairro, o que oscilaria em torno de meio milhão de reais por semana.
Há informações ainda de que faria a distribuição de armas e munições para os criminosos que atuariam na “pista” e assim teria conquistado a confiança das lideranças criminosas da região, os Irmãos Falcão, todos presos na PSMA II, onde ele era chefe de segurança.
“Adquirindo munições em razão de suas atividades e transferindo para os membros criminosos, além de outros serviços para a associação criminosa”, é dito no texto judicial.
Para a compra das munições, segundo informado à coluna, ele usaria dados cadastrais dos colegas, o que dava à negociação um caráter de legalidade. Na sequência ela era fornecida aos criminosos, que pagavam o material com armas, que posteriormente eram negociadas pelo policial penal.
Há ainda relatos de que ele teria comprado coletes balísticos, que haviam sido considerados vencidos ou com problemas e trocados pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), por R$ 400, e após troca da capa os teria vendido a R$ 1,8 mil cada, para o grupo criminoso.
As investigações apontam que a venda de armas, munições e outros materiais bélicos tornou-se a sua principal atividade. As negociações de armas eram feitas até para colegas de farda.
Ele utilizaria a sua posição como chefe de segurança na PSMA II para garantir aos Irmãos Falcão acesso a um telefone celular, além de supostamente levar recados da cadeia para outras lideranças criminosas.
Outra suspeita é de uma emboscada em que ele teria se envolvido contra um outro criminoso, que acabou preso. O objetivo era impedir o crescimento do comparsa de crime dentro da organização, por temer a perda do posto que ocupava.

A operação

Nesta nova fase da Trash Bag foi autorizado mandado de busca e apreensão na casa de pessoa que supostamente estaria envolvida com o policial penal e com o grupo criminoso e que reside em Viana. Ralph está detido na Penitenciária de Segurança Média 1.
Por nota o MPES informou que as ações foram deflagradas pelo Getep e realizadas pela Polícia Penal e visa apurar a prática de crimes no sistema prisional do Estado. Foram apreendidos dinheiro, cheques, documentos, armas, munições e materiais do sistema prisional capixaba. 
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) responsável pela gestão das unidades prisionais, onde o policial atuava como chefe de segurança, informou que "um procedimento que apura os fatos tramita na Corregedoria da Secretaria".
A coluna tenta contato com as defesas de Ralph e William. O espaço segue aberto para as manifestações de seus representantes.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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