Um estudo desenvolvido por um aluno da
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) confirma o que a população percebe ou vivencia no dia a dia das cidades, principalmente na Região Metropolitana de Vitória: os crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos, são mais frequentes nas áreas nobres; já os homicídios e outros crimes contra a vida ocorrem em maior número nas periferias. Esse é um reflexo de como a violência urbana acompanha a desigualdade econômica e social.
O geógrafo William Carlos Rodrigues Gonçalves analisou o padrão de distribuição dos crimes — contra o patrimônio e contra a vida — para verificar se o que aponta o senso comum era de fato a realidade. “E foi o que constatamos”, relata sobre a tese de dissertação desenvolvida para a Pós-Graduação em Geografia.
O estudo identificou alguns bairros e cidades onde ocorrem com mais frequência os crimes como furtos e roubos — de veículos, residências, condomínios, celulares, entre outros — e aqueles contra a vida, como homicídio, lesão corporal e estupro. Confira:
Foram analisados os crimes contra a pessoa — o homicídio, tentado ou consumado; o estupro, tentado ou consumado; e as lesões corporais — entre os anos de 2014 e 2020. Já os crimes contra o patrimônio — furtos e roubos, tentados ou consumados — referem-se ao período entre 2018 e 2020.
Os locais onde são mais frequentes os furtos e roubos são bairros que têm semelhanças entre si, como residências mais elitizadas e grande circulação de pessoas. Alguns dele são áreas populosas, como o bairro Jardim Camburi, em Vitória.
“Há também o fato de todos esses bairros serem cortados por trechos rodoviários importantes, aumentando ainda mais a circulação de pessoas nesses locais”, diz o no estudo.
A análise aponta ainda que nas regiões periféricas, onde as condições de vida são mais precárias, com níveis mais altos de pobreza, há uma concentração mais alta dos crimes contra a pessoa, como os homicídios.
Um ponto destacado no estudo é a ocupação territorial destas cidades da Região Metropolitana. A expansão promovida a partir dos anos 1970 levou muitos moradores vindos do interior a construírem suas casas em morros, mangues, baixadas, o que promoveu o surgimento das aglomerações.
“A geografia aparece para entender o processo de ocupação da cidade, considera os aspectos econômicos, sociais e culturais, e contribui para explicar a maior incidência de certos tipos de crimes em determinadas áreas da cidade”, pontua o geógrafo.
Segundo Gonçalves, a Região Metropolitana da Grande Vitória apresenta um padrão de urbanização excludente e desigual, ocasionando um processo de segregação social e espacial, como fruto da dinâmica de modernização econômica. “A formação de áreas periféricas são consequências desses processos, que provocaram o maior empobrecimento na região, já que os piores índices de criminalidade estão centrados nessas áreas de pobreza”, destaca.
Confira as características de cada cidade: