Era o fim de um relacionamento marcado por uma rotina de violência e perseguições, revelados em depoimentos prestados à Justiça estadual.
Logo após a finalização do júri popular, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o assistente de acusação, Fábio Marçal, que atuou representando a família da enfermeira, recorreram contra a decisão, pedindo aumento da pena.
Para Marçal a condenação reafirma a gravidade dos crimes e a necessidade de punições rígidas em casos de violência de gênero.
“Foi um crime bárbaro, marcado por extrema crueldade. Duas vidas foram ceifadas: a da jovem enfermeira e a da criança que ela esperava. Além disso, uma família inteira foi dilacerada por uma tragédia fruto da violência de gênero. O júri entendeu a gravidade de todo esse universo e o Ministério Público também realizou um brilhante trabalho”, afirmou.
Marçal destacou ainda o simbolismo do julgamento para além da responsabilização do acusado. “Esse tipo de violência não pode se repetir. Condenações firmes são fundamentais para que famílias enlutadas possam encerrar um velório que parece nunca terminar e, assim, encontrar um mínimo de sentimento de justiça”, completou.
Em nota, o MP destaca que "o resultado do julgamento, ao responsabilizar o agressor e combater a violência de gênero, é mais um passo em defesa da vida, da proteção das mulheres e da promoção da justiça".
Acfrescenta que o feminicídio é uma prática intolerável. "Em uma sociedade que busca garantir dignidade e igualdade a todos e, portanto, a pena para crimes dessa natureza devem refletir tal gravidade".
A defesa de Cleilton foi realizada pelo advogado Rafael Almeida de Souza. Ele avalia que a sentença foi justa, dentro do cenário esperado.
Mas adianta que vai recorrer para tentar reduzir a pena. E vai ainda apresentar os argumentos em relação aos recursos do MP e da assistência de acusação, que solicitaram o aumento da punição para o seu cliente.
Durante o julgamento, ao ser interrogado, Cleilton confessou o crime e informou aos jurados que se arrependia de seus atos. Ele segue preso mas deverá, nos próximos dias, ser transferido para uma unidade prisional destinada aos detentos condenados.
Íris Rocha foi encontrada morta, com quatro disparos de
arma de fogo de uso restrito, no dia 11 de janeiro de 2024. Sobre seu corpo foi jogada cal, material que teria sido utilizado com o objetivo, segundo a polícia, para ocultar a localização, disfarçar o odor e agilizar o processo de decomposição.
O motivo do crime, segundo as investigações da Delegacia de Alfredo Chaves, era o fato do ex-namorado ter dúvidas sobre a paternidade do filho que a vítima esperava, mas resultados do exame de DNA comprovaram que ele era o pai de Rebeca.
Denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) relatou que Cleilton e a vítima mantinham relacionamento amoroso em que ele exercia sobre a vítima extremo controle sobre suas atitudes e comportamentos. “Com acentuado sentimento de posse, não admitindo qualquer contrariedade, o que o levou, pelo sentimento egoístico, a ceifar a vida da vítima”