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Feminicídio

Ex-namorado é condenado a 37 anos de prisão por morte de enfermeira grávida

Júri foi  em Alfredo Chaves, local onde o corpo  foi localizado;  réu condenado por feminicídio, aborto sem consentimento e ocultação de cadáver

Publicado em 01 de Dezembro de 2025 às 20:01

Públicado em 

01 dez 2025 às 20:01
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Caso enfermeira
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
Quase dois anos após o assassinato da enfermeira Íris Rocha,  o ex-namorado, Cleilton Santana dos Santos, foi condenado a 37 anos  de prisão. A pena inclui 30 anos pelo crime de homicídio qualificado (feminicídio); 5 anos pelo aborto sem consentimento da gestante; e dois anos pela ocultação de cadáver.
A jovem estava grávida de oito meses de uma menina, a bebê Rebeca, que também morreu.
Após ser alvo de tiros, o corpo da mãe foi coberto com cal desidratada na tentativa de acelerar a decomposição e jogado às margens de uma estrada no interior de Alfredo Chaves, onde o júri popular foi realizado. 
Era o fim de um relacionamento marcado por uma rotina de violência e perseguições, revelados em depoimentos prestados à Justiça estadual.
Logo após a finalização do júri popular, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o assistente de acusação, Fábio Marçal, que atuou representando a família da enfermeira, recorreram contra a decisão, pedindo aumento da pena.
Para Marçal a condenação reafirma a gravidade dos crimes e a necessidade de punições rígidas em casos de violência de gênero.
“Foi um crime bárbaro, marcado por extrema crueldade. Duas vidas foram ceifadas: a da jovem enfermeira e a da criança que ela esperava. Além disso, uma família inteira foi dilacerada por uma tragédia fruto da violência de gênero. O júri entendeu a gravidade de todo esse universo e o Ministério Público também realizou um brilhante trabalho”, afirmou.
Marçal destacou ainda o simbolismo do julgamento para além da responsabilização do acusado. “Esse tipo de violência não pode se repetir. Condenações firmes são fundamentais para que famílias enlutadas possam encerrar um velório que parece nunca terminar e, assim, encontrar um mínimo de sentimento de justiça”, completou.
Em nota, o MP destaca que "o resultado do julgamento, ao responsabilizar o agressor e combater a violência de gênero, é mais um passo em defesa da vida, da proteção das mulheres e da promoção da justiça".
Acfrescenta que o feminicídio é uma prática intolerável. "Em uma sociedade que busca garantir dignidade e igualdade a todos e, portanto, a pena para crimes dessa natureza devem refletir tal gravidade".

O que diz a defesa

A defesa de Cleilton foi realizada pelo advogado Rafael Almeida de Souza. Ele avalia que a sentença foi justa, dentro do cenário esperado.
Mas adianta que vai recorrer para tentar reduzir a pena. E vai ainda apresentar os argumentos em relação aos recursos do MP e da assistência de acusação, que solicitaram o aumento da punição para o seu cliente.
Durante o julgamento, ao ser interrogado, Cleilton confessou o crime e informou aos jurados que se arrependia de seus atos. Ele segue preso mas deverá, nos próximos dias, ser transferido para uma unidade prisional destinada aos detentos condenados.

Crime

Íris Rocha foi encontrada morta, com quatro disparos de arma de fogo de uso restrito, no dia 11 de janeiro de 2024. Sobre seu corpo foi jogada cal, material que teria sido utilizado com o objetivo, segundo a polícia, para ocultar a localização, disfarçar o odor e agilizar o processo de decomposição.
O motivo do crime, segundo as investigações da Delegacia de Alfredo Chaves, era o fato do ex-namorado ter dúvidas sobre a paternidade do filho que a vítima esperava, mas resultados do exame de DNA comprovaram que ele era o pai de Rebeca.
Denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES)  relatou que Cleilton e a vítima mantinham relacionamento amoroso em que ele exercia sobre a vítima extremo controle sobre suas atitudes e comportamentos. “Com acentuado sentimento de posse, não admitindo qualquer contrariedade, o que o levou, pelo sentimento egoístico, a ceifar a vida da vítima”

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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