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Luxo

Golpes na Ilha do Boi: mulher é condenada a prisão e a indenizar vítimas

A polícia estimou os prejuízos em R$ 1 milhão; na casa dela foram apreendidos móveis, quadros, objetos  de decoração,  roupas e óculos de grife

Publicado em 28 de Junho de 2024 às 03:30

Públicado em 

28 jun 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Estelionatária da Ilha do Boi
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
Nas redes sociais ela se apresentava como Josi Grand ou Josi Grand Buaiz. Vivia na Ilha do Boi, em Vitória, com um estilo de vida luxuoso que a investigação policial revelou ser proveniente dos golpes que aplicava, e que resultaram em um prejuízo estimado de R$ 1 milhão.  Jhose Campos Alves, o nome verdadeiro da mulher de 45 anos, foi condenada pela Justiça estadual a uma pena de cinco anos e dez meses de prisão. Terá ainda que pagar indenização por danos morais para cada uma das seis vítimas, no valor de R$ 10 mil.
Ela foi presa no final do ano passado e em sua casa a polícia apreendeu móveis, quadros, diversos itens de decoração, e objetos de lojas de grife, como roupas e óculos. À Justiça foi relatado que ela realizava as compras com cheques sem fundo ou alegava não ter crédito no cartão, e quando cobrada, dizia estar passando por problemas financeiros e que não teria como pagar.
Na sentença do início deste mês, assinada pelo juiz Luiz Guilherme Risso, da 2ª Vara Criminal de Vitória, é dito: “Restou demonstrado todo o transtorno que as vítimas enfrentaram diante das condutas delitivas praticadas pela acusada”. E acrescentou sobre a indenização que é o “valor mínimo para reparação dos danos causados pelo crime”.
Após ser indiciada pela Polícia Civil, ela foi denunciada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por estelionato (artigo 171 do Código Penal), por golpes em diversos locais nas cidades de Vitória e Vila Velha, contra pessoas e empresas. No texto da sentença é informado que as provas existentes no processo “são seguras e incontroversas quanto à ocorrência do crime”.
“A acusada alcançou êxito em sua empreitada criminosa, tendo obtido vantagem ilícita em prejuízo alheio e agido com animus de fraudar a vítima, mantendo-a em erro, fazendo-a acreditar que receberia o pagamento pelas mercadorias, ao passo que também não procurou a vítima para a devolução das mercadorias ou resolução do pagamento, caracterizando a obtenção da vantagem indevida em prejuízo alheio”, é relatado em outro ponto da sentença.
Jhose está sendo representada atualmente pelo advogado Leonardo Gagno. Ele adiantou que irá recorrer contra pontos da sentença, com destaque para o tempo de prisão e o regime de cumprimento, o fechado. Presa em dezembro do ano passado, foi determinado que ela permaneça detida.
“Discordamos de alguns pontos da sentença e já entramos com recurso, falta só apresentar as razões. Nosso entendimento é o de que o tempo de prisão pode ser menor e em regime semiaberto”, explicou.

"Armação", diz Jhose

Ao ser  interrogada pela Justiça, Jhose disse que “não tinha intenção de lesar as pessoas”. Informou que foi morar na Ilha do Boi após conhecer uma amiga e alugou uma casa ao lado da dela; e que a residência estava deteriorada, tendo a dona da casa feito valor bem baixo de aluguel para efetuar as reformas da casa.
No interrogatório ela relatou que já foi processada na área cível, e que os fatos narrados na denúncia do MPES é uma “armação por parte de todos eles”, ao se referir às vítimas.  Disse ainda que "eles ofereciam os produtos tendo dito aos vendedores que queria ver para decidir se comprava".
Destacou no interrogatório que "suas redes sociais são privadas" e que as vítimas, quando solicitavam, eram autorizadas a segui-la, e "tinham acesso a seu nome". 
A investigação da Polícia Civil teve início nas semanas finais do ano passado e culminou com a prisão no dia 7 de dezembro. Houve busca e apreensão na casa dela. Segundo a equipe do 3º distrito policial da Praia do Canto, que atende nove bairros, Jhose era conhecida na região como praticante do crime de estelionato, "mantendo um estilo de vida luxuoso proveniente de suas atividades criminosas".
“Sabemos que 80% dos objetos da casa eram provenientes do crime de estelionato praticado ao longo dos vários anos”, informou o delegado Diego Bermond, na ocasião.
Em depoimentos à Justiça as vítimas relataram que conseguiram recuperar parte do material após a apreensão feita pela polícia. Mas também houve perdas de produtos que foram danificados.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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