Entre os crimes atribuídos ao grupo envolvido no assassinato do empresário Wallace Borges Lovato, na Praia da Costa, em Vila Velha, está o de milicia privada.
A vítima foi executada a partir de um suposto planejamento implementado por cinco pessoas, que se tornaram réus em ação penal no último dia 10, por decisão do Juízo da 4ª Vara Criminal de Vila Velha, responsável pelo Tribunal do Júri.
A sentença descreve parte da denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), relatando que os cinco integravam grupo organizado e financiado pelo mandante, e que juntos orquestraram e viabilizaram as ações para pôr fim à vida de Lovato.
A partir da contratação feita pelo mandante, o intermediário organizou o crime, contratando o terceiro envolvido, que viabilizou a presença dos demais, incluindo o executor. O que resultou no cometimento de outros crimes, como adulterações no veículo para evitar a identificação e viabilizar a fuga.
O advogado Rodrigo Horta, assistente de acusação que representa a família da vítima, observa que a presença desta estrutura, com divisão de funções e prática de crimes graves, do homicídio à adulteração de sinal identificador de veículo, que caracteriza a milícia privada.
“Ressalto a sofisticação da execução com uma arma de grosso calibre e veículo em movimento”, pontua o advogado.
Segundo o MP, foi utilizado uma arma de uso restrito. “O recurso que impossibilitou a defesa da vítima (que foi emboscada e covardemente morta pelas costas) e o emprego de armamento de maior letalidade (pistola 9mm) são típicos de delitos mercenários”.
Entre as acusações contra eles são listadas homicídio qualificado, por motivo torpe e com recompensa, praticado em emboscada, objetivando garantir impunidade, com uso de arma restrita e com a participação de várias pessoas. Além das adulterações no veículo e constituição de milícia privada.
A sentença de pronúncia encaminhou ao banco dos réus:
Bruno Valadares de Almeida - apontado como mandante, está preso no Centro de Detenção Provisória de Viana 2 (CDPV2). Era o diretor financeiro da Globalsys, fundada e dirigida por Wallace Borges Lovato. Temendo ser descoberto e responsabilizado por supostos desvios na empresa da vítima, Valadares teria decidido matar Lovato. O passo seguinte foi a suposta contratação de Bruno Nunes.
Bruno Nunes da Silva - apontado como intermediário e organizador da logística do crime, é o único que ainda está foragido. Segundo a investigação, coube a ele a contratação de Laudevino e era quem fazia a ponte entre os demais e o indicado como mandante
Arthur Laudevino Candeias Luppi - apontado como motorista e organizador de várias ações para o crime, está detido no Centro de Detenção Provisória da Serra (CDPS). Segundo a investigação, viabilizou o veículo, um Fiat Pulse que estava com restrição de roubo/furto, sinais de identificação (NIV) e número de motor adulterados, estampa dos vidros regravadas e placa adulterada. Guiava o veículo no momento do crime e também viabilizou a participação dos outros dois envolvidos.
Arthur Neves De Barros - apontado como o executor, está detido no Centro de Detenção Provisória de Viana 2 (CDPV2). Foi quem usou a pistola de uso restrito para o disparo.
Eferson Ferreira Alves - apontado como intermediador, está detido no Centro de Detenção Provisória de Viana 2 (CDPV2). Inicialmente seria o motorista, mas acabou sendo encarregado, segundo a investigação, em reservar um apartamento em Vila Velha para ficar junto com o executor. Foi quem providenciou o segundo carro, um Fiat Argo utilizado para que fosse à Paraíba, junto com Bruno Nunes, levar Arthur Neves até Vila Velha. Posteriormente usou o veículo para fugir, junto com Arthur Laudevino
O crime aconteceu em 9 de junho do ano passado, por volta das 17 horas, quando Lovato deixava a sua empresa, a Globalsys. Ele se preparava para entrar em seu carro quando foi atingido por um tiro na nuca.
O MP apontou como motivação para o crime o temor de Valadares de que fossem descobertos os supostos desvios que teria praticado contra a empresa de Lovato desde 2024.
O empresário contratou uma auditoria por ter desconfiado do aumento patrimonial do seu diretor financeiro, que ostentava carros e jóias que seriam incompatíveis com seu rendimento salarial.
Segundo a investigação, a quebra de sigilo bancário de Bruno Valadares e de empresas em seu nome teriam confirmado repasses financeiros expressivos.
A defesa dos acusados não foi localizada, mas o espaço segue aberto à manifestação.
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