Ele vai permanecer em casa durante a sessão, cuja decisão final ficará a cargo do conjunto dos desembargadores que compõem o Pleno do TJES.
“O Tribunal não me intimou a comparecer, apenas para ter ciência do julgamento. Vou ficar em casa, à disposição e, se porventura algum desembargador exigir a minha presença, será só o tempo de atravessar a ponte para chegar ao Tribunal”, explicou.
Acrescentou que segue confiante na decisão dos desembargadores. "São homens altamente preparados e confio na Justiça".
O advogado Fabrício Campos, que o representa, explica que não é comum, em sessões de julgamento no Pleno do TJES, que o réu compareça. “Em geral, a intimação é para que o acusado tenha ciência, mas o comparecimento não é obrigatório”, relata.
É um julgamento diferente do Tribunal do Júri, na primeira instância, onde há previsão de interrogatório do réu, apresentação de provas e depoimentos de testemunhas.
“No Pleno não é tradicional que isto aconteça. Não é uma audiência para ouvir a parte. Nem a sustentação oral da defesa e da acusação é obrigatória. Pode ocorrer apenas a leitura do voto por parte do desembargador relator do caso”, informa Campos.
No caso de Leopoldo, haverá apresentação tanto da acusação, representada pelo MPES, quanto da defesa. Cada parte terá o tempo de 1 hora para a sua manifestação, podendo ser prorrogada a critério do relator do caso, o desembargador Fábio Brasil Nery. A expectativa é de que a sessão termine por volta das 16 horas.
E que a morte visava à ocultação de outros delitos. “O homicídio foi um meio para um fim. Matou-se a vítima para garantir que outro crime não fosse descoberto, para silenciar uma testemunha ou para permitir que a organização continuasse operando sem interferências”, informa.
Foi pedido à Justiça que, em caso de condenação, haja prisão imediata com regime inicial fechado e a cassação da aposentadoria remunerada, com o argumento de que o benefício foi adquirido em razão do exercício do próprio cargo que teria sido usado para a prática dos delitos a ele atribuídos.
Campos afirma que o juiz aposentado é inocente das acusações e que no julgamento irá apresentar os erros da investigação.
“Entre eles a seletividade dos investigadores, cuja atenção estava voltada para coisas que interessavam a eles, deixando aspectos importantes de lado. Houve um direcionamento claro da investigação e, mesmo assim, as provas não conectam Leopoldo a nenhuma conspiração para matar a vítima. Ele é inocente”, assinala.
Outro ponto, relata, é a existência de testemunhas que mudaram a mesma história por três vezes. A expectativa do advogado é de que o processo seja examinado com serenidade e justiça.