Juíza do ES tem vida investigada a mando de traficante em presídio federal
Operação Argos
Juíza do ES tem vida investigada a mando de traficante em presídio federal
Diante do possível risco a uma autoridade, a Ficco-ES em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), realizou uma operação
Publicado em 13 de Março de 2026 às 16:16
Públicado em
13 mar 2026 às 16:16
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Arte - Geraldo Neto com Midjourney
Um traficante do Espírito Santo, detido na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, teria ordenado por intermédio de um familiar, que fossem realizadas buscas de informações sobre a vida de uma juíza que atua na execução penal na Grande Vitória.
A suposta troca de mensagens foi identificada pelo Sistema Penitenciário Federal, e incluiria informações sobre a insatisfação do preso com as decisões da magistrada, responsável pelas decisões referentes a sua prisão fora do Estado.
O criminoso, segundo as investigações, utilizaria as visitas da filha, autorizadas pelo sistema penitenciário, para determinar que fossem feitas investigações em relação à magistrada.
Aproveitaria ainda o mesmo mecanismo para transmitir mensagens e orientações para a gestão da facção criminosa a qual pertence, o Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Juíza do ES tem vida investigada a mando de traficante em presídio federal
O preso é Carlos Alberto Furtado, conhecido como “Nego Beto”, apontado como uma das lideranças do grupo criminoso.
Diante do risco potencial para a magistrada, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-ES) — que reúne equipes de várias forças de segurança coordenadas pela Polícia Federal —, em conjunto com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), realizou nesta quinta-feira (12) a Operação Argos.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de três pessoas que compõem o núcleo familiar de Carlos Alberto. Uma delas é autorizada a visitá-lo e a outra é apontada como a pessoa responsável pela gestão dos recursos e bens do preso. Há suspeitas ainda de que ela faria a intermediação dos recados para outros integrantes da facção.
Houve uma tentativa de cumprir um mandado de prisão contra Rhuan Alves Furtado da Silva, filho de Nego Beto. Ele responde por crimes relacionados ao tráfico de drogas, mas não foi localizado pela equipe da Ficco-ES.
Segundo a investigação, ele seria responsável por operacionalizar as informações recebidas do pai, voltadas à gestão do tráfico do Bairro da Penha e, suspeita-se, a busca pelos dados da juíza.
Houve apreensão de armamento e celulares que foram encaminhados para análise.
Durante a operação foram conduzidas à Polícia Federal duas pessoas. Uma delas é um dos alvos da Operação Sicário, realizada pela Polícia Civil, que o identificou como um dos seguranças de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, também preso em unidade federal
O segundo declarou ser o dono de uma pistola e carregadores localizados dentro de um dos imóveis alvo de busca.
Questionado, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) informa que, "para casos dessa natureza, se impõe o sigilo necessário e, portanto, não fará comentários a respeito".
O advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, que faz a defesa de um dos familiares de Carlos Alberto, informou que não se manifesta, considerando que o processo tramita sob sigilo.
O advogado de Carlos Alberto e de Rhuan não foram localizados, mas o espaço segue aberto à manifestação.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.