Segundo Renata Bravo, advogada criminalista e mestra em Direitos e Garantias Fundamentais, já são quase duas décadas em que se tenta desacreditar e descredibilizar a lei. “Estes grupos extremistas querem naturalizar e normalizar a violência, tentando se colocar no lugar da vítima, mas as vítimas são as mulheres e meninas alvos de todo tipo de violência que tem apresentado um aumento significativo nos últimos anos”.
Há ainda, observa Renata, as tentativas de dizer que a lei não é necessária por não dar tratamento isonômico a homens e mulheres. “Isso é uma falácia porque são violências dirigidas às mulheres, em razão do gênero. Então, é preciso sim de um tratamento diferenciado, basta olhar a série histórica de homicídios em geral, que vem reduzindo, ao contrário dos homicídios de mulheres, sem contar os feminicídios”.
Aliado às agressões e mortes, as mulheres enfrentam ainda o descumprimento das medidas protetivas. Só no ano de 2024 já foram 1.104 casos. Uma situação preocupante por levar muitas mulheres que são alvos de violência a ter a sensação de que não adianta denunciar ou buscar ajuda.
“É uma situação que precisa ser enfrentada para que as mulheres tenham condições e oportunidade de denunciar as agressões. Elas precisam conhecer os meios oportunos e os direitos que possuem. Precisam ainda que todas as forças de segurança atuem de forma integrada, por exemplo com visitas tranquilizadoras, sendo recebidas com equipes capacitadas nas delegacias para que não sejam vitimizadas e que não sejam julgadas quando forem pedir uma medida protetiva”, pondera Renata.
Outro ponto importante, acrescenta, é que precisa ser trabalhada uma mudança de cultura. “A gente vive uma cultura de violência contra meninas e mulheres. Precisamos criar uma sociedade em que meninas e mulheres vivam sem violências, vivam livres de violência, onde os homens saibam que eles não têm a possibilidade de ter acesso aos corpos, as vidas, ao controle das mulheres”
Uma mudança que passa, principalmente, pela educação. “É preciso mostrar, por exemplo, que piadas e brincadeiras que remetem a violências, a subjugação de mulheres e de meninas não sejam normais, aceitáveis. É preciso que todo mundo levante a voz, especialmente os homens que não concordam com as violências contra as mulheres, que elevem sua vozes contra outros. É preciso que todos se sensibilizem para que que os níveis de violência reduzam”.
Além de ter sido vítima de violência, contra ela houve duas tentativas de homicídio por parte de seu ex-marido, Marco Antonio Heredia Viveros. Uma delas a deixou paraplégica. O caso acabou sendo denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e em 2001 o Brasil foi condenado por omissão e negligência em relação à violência doméstica. Em 2006 foi sancionada a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, que criou mecanismos de combate à violência doméstica e familiar.