Em sentença do último dia 29, o juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória, Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, que preside o Tribunal do Júri, decidiu que cinco pessoas vão ser julgadas pelos crimes: dois homicídios e três tentativas de homicídio. São eles:
“Seja por ser hierarquicamente superior aos denunciados Felipe, Thain e Felipe na facção criminosa, detendo o poder de ditar ordens e cobrar a prestação de contas, nada acontecendo sem que aquele saiba e ordene, seja porque a referida ordem foi repassada pelo denunciado Lucas, advogado do PCV e integrante de tal facção, aos demais integrantes da organização criminosa”, informou o Ministério Público.
O texto destaca que as ordens de Geovani para ataques e ações logísticas no comércio ilícito de entorpecentes vinham de dentro da prisão. E era a ele que Felipe, Thain e Felipe se reportavam para prestar contas. É informado ainda que eles faziam parte do braço armado da facção, executando rivais.
“Já o denunciado Lucas figura como um dos braços jurídicos da organização, visto que, na condição de advogado, atua fazendo ‘leva e traz’ de recados das lideranças da organização que se encontram custodiadas no sistema prisional capixaba, trazendo ordens de dentro da cadeia e prestando conta a estes do movimento de narcotráfico”, informa a denúncia.
Os quatro passaram o dia na Praia da Costa, em Vila Velha, onde foram vistos por um rival que avisou a Felipe, Thaian e Felipe. “Ficaram de campana observando os movimentos das vítimas, à espreita de um momento propício para pôr em prática a ordem emanada da prisão”, informa a denúncia.
No fim do dia as vítimas deixaram a praia no carro de Adriano, um Onix vermelho, e seguiram para o Morro da Fonte Grande. Foram seguidos por Felipe, Thaian e Felipe, em um HB20 branco, que parou ao lado do grupo em um semáforo, na Avenida Governador José Sette, no Centro.
Segundo o MPES, os crimes foram praticados no contexto da guerra do tráfico. “Os denunciados atentaram contra a vida das vítimas pelo fato destas pertencerem ao grupo de narcotráfico rival. O modo de execução do delito dificultou a defesa das vítimas, pois foram seguidas pelos executores, que já as observaram, tendo sido executadas de inopino, enquanto aguardavam com o carro parado o sinal vermelho do semáforo, sendo certo não esperavam ou poderiam esperar tal ataque”.
Os advogados dos réus não foram localizados. O espaço segue aberto para manifestação.