Marujo na cadeia: prisão de traficantes levou a bunker de chefão do crime
Sem equipe
Marujo na cadeia: prisão de traficantes levou a bunker de chefão do crime
Seis pessoas foram para a cadeia nos últimos anos, um golpe importante na facção de Marujo, que acabou precisando retornar ao Estado, o que levou a sua localização e prisão
Publicado em 18 de Março de 2024 às 05:00
Públicado em
18 mar 2024 às 05:00
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Marujo na cadeiaCrédito: Arte: Geraldo Neto
Diversas lideranças do Primeiro Comando de Vitória (PCV) foram presas nos últimos seis anos. Eram homens de confiança e que estavam na linha de sucessão direta de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, o único líder da facção criminosa que estava em liberdade. A retirada deste grupo de circulação fez com que aquele que era o bandido mais procurado precisasse retornar ao Espírito Santo, fato que ajudou as investigações e que culminou com sua prisão no último dia 8.
Todos eram considerados nomes fortes na cúpula da organização criminosa. A prisão deles foi um golpe importante e acabou levando Marujo ao isolamento. “Vão surgir outros, mas por enquanto estão sem grandes nomes que estejam em liberdade para assumir as funções na facção”, observa o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli, superintendente de Polícia Especializada.
Dos sete que compunham a equipe, apenas um está foragido: Rudney Jacinto dos Santos, o Jogador ou Nego 10. Está na lista dos criminosos mais procurados do Estado e contra ele há mandados de prisão por homicídio e tráfico de drogas. Seu foco de atuação era o bairro São Benedito, em Vitória, uma espécie de gestão separada do Bairro da Penha. É tido como um dos candidatos a assumir a liderança aberta com a prisão de Marujo.
Os outros seis foram detidos em operações realizadas pela Polícia Civil, Polícia Militar e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Eram homens que tinham o apoio Marujo, mas também de Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto, a principal liderança do PCV, preso em uma unidade federal em Porto Velho, Rondônia.
Entre os que foram detidos está Yuri de Andrade Bento, o Jamaica, irmão de Geovani Andrade Bento, o Vaninho, e João de Andrade, o João da 12, ambos no presídio federal de Rondônia. Yuri foi preso após confronto com policiais militares no início deste ano na Reta da Penha, em Vitória, e está envolvido em ataques a ônibus.
Há ainda Dário Alves do Rosário Júnior, o Nenego, apontado como chefe do comércio de entorpecentes em bairros da Serra. Tinha tanto peso para os integrantes da cúpula da facção que era o administrador da boca que pertencia a Marujo, no bairro Hélio Ferraz. Dividia a atenção do chefão com Leonardo Mendes de Souza, o Leo Família, também detido.
Encurralado
Marujo, ficou foragido por um longo período, escondido no Complexo da Penha, no Rio. De lá administrava, à distância, as operações da facção criminosa no Espírito Santo. Mas com a perda de sua equipe e ficou sem apoio para manter o controle do tráfico de drogas e dos conflitos envolvendo outros rivais do crime.
Em outubro do ano passado estourou a guerra entre as facções no Estado, e ele precisou retornar à Vitória para coordenar, in loco, a criminalidade. “A prisão das principais lideranças serviu para encurralar Marujo. Isto facilitou o trabalho de prisão”, relata Romualdo.
Ao retornar, o objetivo de Marujo era marcar território frente aos avanços dos "Irmãos Vera", pertencentes a uma facção rival — o Terceiro Comando Puro (TCP). O conflito, afirma o delegado, ocorria principalmente entre traficantes do Bairro da Penha e Itararé, mas com repercussão em todo o Estado.
Ele pouco saía, evitava se expor, mas com a intensificação das investigações, foi possível localizá-lo, ou pelo menos ter uma ideia de onde poderia estar. "Foi o que nós precisávamos, monitoramos e esperamos uma janela de oportunidade, e ela surgiu", relata Romualdo ao se referir a prisão realizada no dia 8, quando localizaram Marujo em uma espécie de bunker na casa dos pais.
Por decisão da Justiça estadual, Marujo se encontra na Penitenciária de Segurança Máxima 2, em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), com regras mais rígidas.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.