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Caso Ìris

Morte de enfermeira grávida: ex-namorado vai a júri por feminicídio no ES

Julgamento será realizado a partir das 9 horas desta segunda-feira (1), em Alfredo Chaves, onde o corpo foi encontrado; veja vídeo

Publicado em 28 de Novembro de 2025 às 10:59

Públicado em 

28 nov 2025 às 10:59
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Após um ano vivendo uma rotina de violência e perseguições, revelados em depoimentos prestados à Justiça estadual, a enfermeira Íris Rocha, de 30 anos, foi brutalmente assassinada em 11 de janeiro de 2024.
O acusado pelo feminicídio, o ex-namorado, Cleiton Santana dos Santos, vai sentar no banco dos réus na próxima segunda-feira (1º). O júri popular será realizado em Alfredo Chaves, cidade onde o corpo foi localizado, às margens de uma estrada.
A jovem estava grávida de oito meses de uma menina, a bebê Rebeca, que também morreu.
A sentença de pronúncia — que encaminha o réu para o Tribunal do Júri — é do juiz Arion Mergar, da Vara Única de Alfredo Chaves. “No que tange aos indícios de autoria, restou corroborado pela farta prova testemunhal produzida na instrução”, informou em seu texto.
Cleilton enfrenta acusações de feminicídio, crime praticado contra a mulher em razão do sexo feminino, por motivo torpe, de forma a dificultar a defesa da vítima. Foi dito ainda que ele usou arma de uso restrito.
Outro ponto foi a tentativa dele de destruir ou ocultar o corpo da enfermeira. Em sua denúncia, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informa que após efetuar os disparos, ele arrastou a vítima e a jogou em um terreno com declive acentuado. “Despejando sobre o corpo cal desidratado, objetivando ocultar a sua localização, disfarçar o odor e otimizar o processo de decomposição”.
Outro ponto foi o fato de provocar aborto, sem o consentimento da gestante, considerando que a bebê também morreu.
Na sentença o juiz informa que, como o crime aconteceu em janeiro de 2024, Cleilton não será julgado com base na mudança da lei — ocorrida em outubro de 2024 —, e que tornou as penas do feminicídio mais gravosas, com condenações de 20 a 40 anos. No caso do ex-namorado, a condenação varia entre 20 a 30 anos.
O assistente de acusação Fábio Marçal, que representa a família da vítima no processo, destaca que espera por um julgamento justo e que a Justiça seja feita.
“É um momento difícil para a família, que revive a tragédia. Vamos trabalhar para uma condenação justa, em que ele seja responsabilizado pelo que fez”.

Defesa: expectativa de júri técnico

O advogado Rafael Almeida de Souza faz a defesa de Cleilton, que responde ao processo preso. Relata que, assim como o assistente de acusação, decidiu não apresentar testemunhas em plenário. Haverá apenas uma pessoa a prestar informações, a pedido do MP.
“Com isso, a expectativa é de um júri técnico, conduzido de forma tranquila e direta, respeitando o ritmo natural do procedimento”, informou, em nota.
Acrescenta que segue confiante de que o julgamento ocorrerá com serenidade e de que a justiça será alcançada a partir das provas existentes no processo. “Como se espera de qualquer processo levado ao Tribunal do Júri”.
Finaliza observando que o seu cliente está preso e que há um habeas corpus que ainda não foi analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas que o andamento deste pedido não interfere na realização do julgamento.

Crime

Íris Rocha foi encontrada morta, por quatro disparos de arma de fogo de uso restrito, no dia 11 de janeiro de 2024. Sobre seu corpo foi jogada cal, material que teria sido utilizado com o objetivo, segundo a polícia, para ocultar a localização, disfarçar o odor e agilizar o processo de decomposição.
O motivo do crime, segundo as investigações da Delegacia de Alfredo Chaves, era o fato do ex-namorado ter dúvidas sobre a paternidade do filho que a vítima esperava, mas resultados do exame de DNA comprovaram que ele era o pai de Rebeca. Íris deixou outro filho, hoje com 10 anos.
Denúncia do MPES relatou que Cleilton e a vítima mantinham relacionamento amoroso em que ele exercia sobre a vítima extremo controle sobre suas atitudes e comportamentos. “Com acentuado sentimento de posse, não admitindo qualquer contrariedade, o que o levou, pelo sentimento egoístico, a ceifar a vida da vítima”

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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