Juliete Ferreira Simões, de 34 anos, foi denunciada em 2014 pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O argumento foi o de que mesmo estando ciente do “profundo estado depressivo”, teria instigado Rosana Zazari Alves a pôr fim à sua vida.
A sessão está prevista para às 9 horas e será a oportunidade, assinala o advogado Fábio Marçal, de provar a inocência de sua cliente. “Nós esperamos que ela seja absolvida, tendo em vista não ter praticado qualquer ato que pudesse caracterizar instigação ao suicidio”.
Relata que respeita a dor e a perda dos filhos de Rosana, mas observa que sua cliente também é vítima. “O crime aconteceu há 12 anos e a Juliete vem cumprindo uma pena que nunca mereceu”, acrescenta.
Pesquisa realizada por Marçal só encontrou três outras ações semelhantes no país, dos anos de 1968, 1981 e 1995. “Um não chegou a julgamento, outro teve a denúncia desclassificada e só um chegou a julgamento”, conta.
A família de Rosana, por sua vez, garante que houve instigação ao suicídio. É o que afirmam ao longo do processo. Eles são representados por um assistente de acusação, o advogado Nicácio Pedro Tiradentes.
“Não há dúvidas de que houve instigação ao suicídio. Vamos fazer o possível para que a justiça seja feita”, assinalou.
Rosana era ex-esposa de José Carlos Cruz Alves. No processo ele relata que há anos tentava se separar dela, com quem teve três filhos. Informou que não saiu de casa antes porque a ex ameaçava se matar. Foi neste contexto que ele conheceu Juliete, com quem manteve um relacionamento paralelo até sair de casa e formar uma nova família.
No processo é declarado que Rosana sofria há anos com depressão e que já tinha atentado contra sua própria vida em outras três ocasiões. Uma condição que foi seriamente afetada por fatores econômicos e judiciais em que sua família foi envolvida.
Rosana e José Carlos eram sócios-proprietários da TA Oil Distribuidora de Petróleo. Durante o governo José Ignácio Ferreira, a empresa esteve no centro de um escândalo envolvendo a acusação de recebimento de propina por parte do Executivo estadual. Houve denúncias contra o então governador e a primeira-dama Maria Helena Ferreira - autora do projeto da fábrica de sopas - e que foram acusados de cobrar propina para a concessão de regime especial de ICMS.
Em CPI instaurada na Assembleia Legislativa para apurar as denúncias, o casal da TA Oil afirmou que chegou a pagar para conseguir o benefício fiscal. Essa denúncia foi um dos principais pilares da crise que levou ao desmoronamento da credibilidade do governo José Ignácio Ferreira. Com o decorrer das investigações, ao longo de quase uma década, os bens do casal acabaram sendo bloqueados, o que acentuou a crise familiar.