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Julgamento

O dia em que mal-entendido acabou em chacina de trabalhadores no ES

Na próxima terça-feira (29) vão ser julgados quatro pessoas denunciadas pela morte de um grupo de jovens, crime que ficou conhecido como a Chacina na Ilha

Publicado em 25 de Outubro de 2024 às 03:30

Públicado em 

25 out 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Chacina da Ilha
Crédito: Arte - Amarildo / Rede Gazeta
Foi por intermédio de uma ligação que os traficantes receberam a informação de que as seis pessoas que haviam rendido não eram rivais, mas trabalhadores. E por este motivo, deveriam ser liberadas. Mas não foi o que aconteceu. Do grupo que estava cativo, quatro foram executados e dois sobreviveram feridos. Os denunciados pelo crime, que ficou conhecido como a Chacina na Ilha, vão ser julgados na próxima terça-feira (29).
Os detalhes sobre a ligação que tentava preservar a vida dos trabalhadores foram relatados na sentença da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Vitória, de março de 2021, quando foi aplicada a medida socioeducativa de internação a dois  envolvidos nos assassinatos, e que à época eram menores
“Informou ao nacional Adriano que as vítimas eram trabalhadoras, não fazendo parte do tráfico de drogas e que, por esse motivo, deveriam ser liberadas. Em seguida, Adriano desligou o telefone e, juntamente com o representado e seus comparsas, ordenaram novamente que as vítimas deitassem no chão, oportunidade em que passaram a efetuar disparos de arma de fogo contra elas”, é dito na sentença. (veja vídeo abaixo)
Os outros quatro vão enfrentar o Tribunal do Júri de Vitória, a partir das 8 horas, no Fórum Criminal de Vitória. São eles:
  • Felipe Domingos Lopes
  • Werik Sant”Ana dos Santos da Silva
  • Adriano Emanoel de Oliveira  Tavares
  • Victor Bertholini Fernandes
Paloma Gasiglia, que faz a defesa de Victor, informou que acredita na inocência de seu cliente. “No plenário vamos demonstrar que ele nada teve a ver com os fatos”, disse.
O advogado Ailton Ribeiro Silva faz a defesa de Adriano, e assinalou que no julgamento irá provar a inocência dele”. “Adriano tentou evitar o crime, mas não tinha voz ativa", acrescentou. Os representantes dos outros dois denunciados não foram localizados, mas o espaço segue aberto para se manifestarem.

O crime

Era 28 de setembro de 2020, seis jovens decidiram aproveitar o dia de praia na Ilha Doutor Américo Oliveira, localizada na Baía de Vitória, próximo ao bairro Santo Antônio. Na outra margem, fica o bairro Porto de Santana, já em Cariacica. O local é um ponto usado por moradores das duas localidades para diversão e passatempo.
  • Pablo Ricardo Lima Silva, 21 anos
  • Wesley Rodrigues de Souza, 23 anos
  • Yuri Carlos de Souza Silva, 23 anos
  • Victor da Silva Alves, 19 anos
Outros dois, mesmo feridos, conseguiram escapar após os tiros e fuga dos assassinos. 
As mortes foram consequência das constantes disputas do tráfico de drogas. Os jovens foram confundidos com integrantes da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV), com sede no Bairro da Penha, na Capital.
E foram assassinados por seus rivais, que à época atuavam no Morro do Quiabo, em Cariacica, facção conhecida como Associação Família Capixaba (AFC).
Os jovens foram interrogados, filmados, e fotografados. Seus celulares foram roubados e vasculhados, antes de eles serem alvejados. O crime foi divulgado pelas redes sociais. Veja abaixo:
Em sua denúncia, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) destacou que "o delito foi cometido por meio cruel, na medida em que a vítimas permaneceram subjugadas pelos seus algozes por mais de 30 minutos, sofrendo, a todo tempo, ameaças e pressão psicológica, impingindo-se àquelas demasiado e desnecessário sofrimento".
Outra crueldade é que os criminosos usaram a ocasião para testar novas armas que tinham comprado, entre elas uma metralhadora de fabricação caseira e uma pistola.
Sobre o modo de execução, é informado ainda que ele dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas pelos executores, que já sabiam a sua localização exata, tendo sido executadas quando já estavam subjugadas.

Atualização

25/10/2024 - 9:03
O texto foi atualizado com as informações do advogado de Adriano Emanoel de Oliveira Tavares.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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