Foi por intermédio de uma ligação que os traficantes receberam a informação de que as seis pessoas que haviam rendido não eram rivais, mas trabalhadores. E por este motivo, deveriam ser liberadas. Mas não foi o que aconteceu. Do grupo que estava cativo, quatro foram executados e dois sobreviveram feridos.
Os denunciados pelo crime, que ficou conhecido como a Chacina na Ilha, vão ser julgados na próxima terça-feira (29).
Os detalhes sobre a ligação que tentava preservar a vida dos trabalhadores foram relatados na sentença da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Vitória, de março de 2021, quando foi aplicada a medida socioeducativa de internação a dois envolvidos nos assassinatos,
e que à época eram menores.
“Informou ao nacional Adriano que as vítimas eram trabalhadoras, não fazendo parte do tráfico de drogas e que, por esse motivo, deveriam ser liberadas. Em seguida, Adriano desligou o telefone e, juntamente com o representado e seus comparsas, ordenaram novamente que as vítimas deitassem no chão, oportunidade em que passaram a efetuar disparos de arma de fogo contra elas”, é dito na sentença. (veja vídeo abaixo)
Paloma Gasiglia, que faz a defesa de Victor, informou que acredita na inocência de seu cliente. “No plenário vamos demonstrar que ele nada teve a ver com os fatos”, disse.
O advogado Ailton Ribeiro Silva faz a defesa de Adriano, e assinalou que no julgamento irá provar a inocência dele”. “Adriano tentou evitar o crime, mas não tinha voz ativa", acrescentou. Os representantes dos outros dois denunciados não foram localizados, mas o espaço segue aberto para se manifestarem.
Outros dois, mesmo feridos, conseguiram escapar após os tiros e fuga dos assassinos.
As mortes foram consequência das constantes disputas do tráfico de drogas. Os jovens foram confundidos com integrantes da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV), com sede no Bairro da Penha, na Capital.
E foram assassinados por seus rivais, que à época atuavam no Morro do Quiabo, em Cariacica, facção conhecida como Associação Família Capixaba (AFC).
Sobre o modo de execução, é informado ainda que ele dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas pelos executores, que já sabiam a sua localização exata, tendo sido executadas quando já estavam subjugadas.