Iuri atuou na área de inteligência da Guarda da cidade, incluindo na Ronda Ostensiva Municipal (Romu). É suspeito de compartilhar as informações sigilosas que obtinha em sua corporação, com outras forças de segurança e até com criminosos. Elas eram então repassadas para os integrantes do PCV, por intermédio de sua companheira, que atuaria como advogada das lideranças da facção.
Trata-se da comercialização de drogas desviadas de apreensões, apropriação ou desvio de dinheiro e materiais sob custódia, enviando os produtos para os traficantes. Ações em que, supostamente, contou com a participação dos outros dois guardas. E que é semelhante a identificada em relação aos policiais civis do Denarc.
É investigado também as suas ligações com Cleuton Gomes Pereira, o Frajola, detido na Penitenciária de Segurança Máxima 2 e tido como uma das principais lideranças do PCV na região de Terra Vermelha, com uma atuação nas ruas garantida por meio do envio de recados, os catuques.
Os advogados detidos são suspeitos de fazerem a transmissão destes recados. Um deles foi detido dentro de uma unidade prisional, quando saía com recados após a visita a um dos clientes da facção.
As defesas dos acusados não foram localizadas, mas o espaço segue aberto à manifestação. Em nota, a Prefeitura de Vila Velha informou que a Corregedoria da Guarda Municipal está acompanhando o caso e que a corporação vai colaborar no que for necessário.
Na manhã desta quinta-feira (26), logo após a conclusão da operação, em nota o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) informou que as apurações produziram provas de tráfico de drogas, formação de organização criminosa, aquisição e porte ilegal de armamentos e munições, além de outras práticas violentas.
Revelou também que a liderança do grupo emite ordens de dentro das unidades prisionais “por meio de mensagens repassadas por familiares e advogados, cumpridas pelos integrantes em liberdade, cada qual com função definida na estrutura da organização”.
“Foram identificadas evidências consistentes de vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos — entre eles guardas municipais —, caracterizando violação de sigilo funcional e cooperação ilícita em diligências policiais”, informa o texto..
Houve apreensão de celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados. Foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra. Uma pessoa foi detida em flagrante, totalizando nove prisões: 3 guardas, 3 advogados e outras 3 pessoas.
A operação foi realizada pelo MP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio de seu Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar, da Polícia Militar do Espírito Santo e da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus)