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Execução

O plano frustrado de Beira-Mar e Toninho Pavão para matar juiz no ES

As execuções foram planejadas no Presídio Federal do Paraná, onde os dois estavam detidos em 2007; em outra ação, o traficante capixaba lançou mão do "ralofone"

Publicado em 18 de Outubro de 2024 às 03:30

Públicado em 

18 out 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

plano para matar juiz
Crédito: Arte - A Gazeta
O ano de 2007 mal tinha começado quando um ofício do Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, informava sobre um plano de criminosos para matar autoridades no Estado, entre elas um juiz. A trama foi arquitetada entre o banho de sol e as conversas entre as celas, por dois criminosos: Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e José Antonio Marim Nogueira, o Toninho Pavão.
Mas esta não foi a única trama envolvendo Pavão. Meses antes ele e outros quatro criminosos capixabas usaram um “ralofone” para se comunicarem e planejarem uma fuga. (veja detalhes abaixo).
Descobertos, todos foram transferidos para o presídio de Catanduvas, no Paraná. E foi lá que o traficante carioca e o capixaba planejaram as execuções.
Quase duas décadas depois, Pavão voltou a ser preso em uma operação da Polícia Federal. Há dois anos estava em liberdade, na fase final de sua pena, após cumprir 20 anos, dos 64 de sua condenação. Foi detido no último dia 10, suspeito de negociar drogas para o Primeiro Comando da Capital, o PCC, no Espírito Santo.
Já o colega do passado, Beira-Mar, foi transferido para o presídio de Catanduvas após a fuga histórica de dois detentos da facção dele, o Comando Vermelho (CV), da unidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O traficante carioca acumula  condenações de mais de 300 anos.
As execuções arquitetadas por eles no Espírito Santo, há quase duas décadas, só não ocorreram porque as autoridades descobriram o planejamento e impediram as ações.

Os alvos

O plano dos traficantes era executar o juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos e Anderson Perciano Fanelli. O último atuava, na época, como subsecretário de Justiça, pasta responsável pelo sistema penal. Investigações posteriores revelaram que o então secretário de Segurança Evaldo Martinelli, também estava marcado para morrer.
Juntos, eles foram responsáveis pela identificação, isolamento e transferência para presídios fora do Estado das principais lideranças do crime que comandavam o tráfico de drogas das cadeias. E foi de lá que determinaram as queimas de ônibus ocorridas entre os anos de 2004 e 2006.
Na época, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) enviou Fanelli ao Paraná para obter mais detalhes da ação. Foi quando descobriu que Pavão estava dividindo a mesma ala, em Catanduvas, com Beira-Mar.
As investigações indicaram  que foi nos períodos de banho de sol e nas conversas entre as celas individuais que Pavão relatou ao colega carioca as suas agruras. A principal delas o fato de já não comandar as suas equipes de dentro da cadeia, além dos prejuízos com as apreensões de drogas promovidas pela polícia.
Beira-Mar, que ensaiava uma entrada em terras capixabas, percebeu a oportunidade para expandir seus negócios, financiando as mortes. E Pavão entraria com os executores. O plano contou com a participação das esposas dos dois traficantes.
Elas alugavam casas próximas ao presídio, em Catanduvas, para facilitar as visitas aos maridos. Lá também hospedavam esposas de outros presos. Uma delas acabou sendo a mensageira das articulações para localizar os executores.
A execução dos crimes foi entregue a Weter Alves Clímaco, o John Wayne. O mesmo que foi acusado de matar um casal a mando de Pavão – que acompanhou as mortes por telefone, na cadeia. Para atuar ele precisaria fugir da Casa de Passagem de Vila Velha, o que seria facilitado com o ingresso de armamentos na unidade.
Mas Wayne também acabou sendo transferido para Catanduvas. A missão foi entregue então para Emerson Batista Antunes, o Herminho. O que acabou sendo impedido com as ações e investigações da polícia, e ele fugiu.

O “ralofone”

Em 2006, segundo a Justiça, Toninho Pavão deu a ordem de execução de um casal de dentro do presídio de Segurança Máxima de Viana. E acompanhou tudo por telefone. Por esta ação foi transferido para a carceragem da Polícia Federal, que hoje não existe mais.
Com a medida, seus comparsas decidiram promover queimas de ônibus na Grande Vitória. Diante do cenário, o juiz Carlos Eduardo Lemos determinou a transferência de Pavão e de outros quatro detentos para a Penitenciária de Francisco Sá, em Minas Gerais.
Foi nesta unidade que os cinco detentos encontraram uma forma de se comunicar com os demais presos da cadeia. O contato era viabilizado pelo ralo do banheiro — batizado pelos próprios presos de “ralofone” —, segundo reportagem de Fernanda Queiroz, da Rádio CBN Vitória
O plano na ocasião era viabilizar uma fuga para impedir uma possível transferência para Catanduvas. O que acabou acontecendo em setembro de 2006. E foi lá que tramaram as mortes das autoridades.
Já Anderson Perciano Fanelli e Evaldo Martinelli estavam entre as autoridades que viabilizaram a transferência dos detentos.

As defesas

Sobre a nova prisão de Toninho Pavão, seu advogado, Wanderson Omar Simon, que ela é temporária, por 30 dias. “É um processo que tramita sob sigilo. Houve busca e apreensão em sua casa, mas não foram encontradas armas ou drogas, nada ilícito foi encontrado. Espero que o andamento das investigações esclareçam os fatos”.
Weter Alves Clímaco, atualmente, está na Penitenciária Semiaberta de Vila Velha. Sua defesa não foi localizada. A informação sobre Emerson Batista Antunes é de que ele teria fugido para São Paulo. O espaço segue aberto para a manifestação da defesa dos dois.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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