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Meio ambiente

O que explica as chuvas que têm destruído cidades do ES ano após ano

Ambientalista aponta que Estado e municípios sofrem com os chamados extremos climáticos ocasionados pelo aquecimento global, e que tendem a ser mais frequentes no dia a dia das cidades

Publicado em 25 de Março de 2024 às 05:00

Públicado em 

25 mar 2024 às 05:00
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Chuva no ES: cenas do rastro de destruição em Mimoso do Sul
Chuva no ES: cenas do rastro de destruição em Mimoso do Sul Crédito: Fernando Madeira
As imagens do Sul do Espírito Santo são devastadoras. Famílias fora de casas, ruas, pontes,  carros e equipamentos públicos destruídos pelos efeitos da chuva que assola cidades da região, e que matou 19 pessoas. Uma tragédia que vem se repetindo nos últimos anos, revezando com períodos de seca e de calor intenso. São os chamados extremos climáticos ocasionados pelo aquecimento global, e que tendem a ser mais frequentes no dia a dia das cidades.
É uma situação, avalia o doutor em ciência florestal e ambientalista Luiz Fernando Schettino, que exige que municípios e Estado se preparem e façam investimentos para amenizar os impactos causados por estas mudanças. "A tendência é que estas ocorrências se intensifiquem, considerando o aumento da temperatura mundial e que ela vai levar a um fortalecimento dos extremos climáticos", alerta.
As cidades do Sul do Estado, por exemplo, vem sendo alvo frequente de inundações, pelo menos uma vez a cada ano. É o que aconteceu  com Iconha, Castelo e a própria Mimoso do Sul,  que registrou o maior número de perdas de vidas neste final de semana. O que mostra que está havendo não só constância,  mas uma maior intensidade dos eventos. “Onde chovia 200 mm em um mês, passou a receber 300 mm em uma hora, não tem nenhum sistema de drenagem que resista a isto”, pondera Schettino, acrescentando que não será diferente com os períodos de seca, que também tendem a se intensificar.

A falta de cuidado

Mas o que aconteceu para que chegássemos a esta situação? De acordo com Schettino, são as consequências da falta de cuidado com o meio ambiente, fruto do crescimento desordenado das cidades, da exploração não racional do solo, do desmatamento das florestas, dos aterros, do cuidado inadequado com o lixo, entre outras ações há mais de 40 anos. “Em 1987 escrevi o meu primeiro artigo sobre o assunto, apontando para os problemas que estamos vivendo”, conta.
No Estado destaca-se aterro das chamadas áreas de recargas hídricas - lagoas, rios, córregos, mangues -, ecossistemas importantes que enchem na época da chuva, e depois vão diminuindo gradativamente, alimentando o lençol freático. Quando são aterradas, não armazenam água para os períodos de seca. E no período das chuvas, a água que ficaria ali armazenada vai direto para os rios, aumentando seu volume e por consequência, inundando as cidades.
“Pode parecer absurdo, mas jogamos toneladas de terra todos os anos dentro dos nossos rios. O fundo do rio sobe e a água esburra”, relata Schettino.
Outro grande problema é o desmatamento das florestas, que entre muitas funções, ajuda a absorver a água. Schettino explica que onde há uma floresta bem conservada, em uma hora de chuva se consegue uma infiltração da água em 55 minutos de chuva. Mas em áreas degradadas, em uma hora, só cinco minutos de chuva infiltra no solo, o restante escorre.
Na Região Sul do Estado, aponta ele, há muitas áreas degradadas. “Vem uma chuva anormal e encontra um solo desprotegido, degradado, estradas cortadas de qualquer maneira, mineração feita sem os cuidados devido, sem local de armazenamento para a água, o resultado é o que temos visto”, pondera, assinalando que todos estes processos atuam em cadeia, e quando ela é interrompida, o efeito é mais intenso.

Soluções urgentes

Na avaliação do ambientalista, situações como as que estão ocorrendo  vão demandar ações mais efetivas dos municípios e do próprio Estado para preparar as cidades para os eventos climáticos. Mas reconhece que será necessário um volume expressivo de recursos. “Não há uma solução completa, mas é possível amenizar os impactos e as dores que temos hoje”, pondera. E cita alguns exemplos do que pode ser feito:
  • Pequenas barragens - são barragens pequenas a serem construídas nas cidades do interior que tem a função de acumular a água da chuva
  • Redesenhar as cidades - a construção de obras públicas precisa ser analisada, necessariamente, com base em estudos ambientais, para evitar construções em locais que tendem a alagamentos, ou que sejam feitas de forma a levar a inundações. Em algumas situações será preciso pensar  na retirada de casas e comércios instalados em locais de alagamento.
  • Entender o clima - as administrações municipais vão precisar ter áreas específicas, com conhecimento técnico sobre as questões climáticas e como elas impactam as cidades, não só para a preparação dos projetos, mas também para se antever aos eventos. “Hoje, com uns seis meses de antecedência, é possível ter informação do padrão climático,  ter uma ideia do que vai ocorrer e como se preparar”. E ainda promover a realização de estudos amplos, com a participação de todos os municípios, para a construção de modelos e ações.
  • Atenção a novos loteamentos - Uma atenção ainda maior  na aprovação de novos loteamentos, com foco nos impactos que podem causar ao meio ambiente.

Atualização

25/03/2024 - 8:00
Novo boletim  da Defesa Civil estadual atualizou o número de mortos nas chuvas que atingem as cidades do Sul do Estado de 17 para 19 vítimas. 

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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