OAB do ES suspende advogada que apresentou falso atestado de gravidez
Crimes
OAB do ES suspende advogada que apresentou falso atestado de gravidez
A Justiça estadual também aceitou denúncia apresentada contra ela pelo Ministério Público; ela foi detida em operação ligada ao tráfico de drogas
Publicado em 12 de Dezembro de 2024 às 00:30
Públicado em
12 dez 2024 às 00:30
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Uma advogada acusada de apresentar falso atestado de gravidez para evitar a prisão teve a licença profissional suspensa pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES). Pelo mesmo motivo, a Justiça estadual aceitou denúncia apresentada contra ela pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O profissional que a representava na audiência também foi denunciado.
No dia seguinte, em audiência de custódia, foi apresentado um atestado de gravidez, o que motivou a decisão para que ela respondesse ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira.
Posteriormente, investigações da Polícia Civil apontaram que o exame com data de 26 de setembro foi falsificado. O código de protocolo indicou que era de um teste realizado em 2022. Motivação que levou o MPES a denunciar a advogada, o que foi aceito pela Justiça.
“A denunciada Camila, de forma consciente e voluntária, falsificou documento particular, consistente em um teste de gravidez, com o objetivo de induzir terceiros em erro, utilizando-o no auto de prisão em flagrante para solicitar prisão domiciliar, apresentando-o a terceiros para conferir aparência de autenticidade ao conteúdo do documento”, informa a denúncia.
Não pode advogar
Os atos levaram o Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-ES a aplicar à Camila a penalidade de suspensão cautelar do exercício da atividade profissional pelo período de 90 dias corridos. Com a medida ela fica impedida de atuar entre 11 de dezembro até 10 de março do próximo ano.
Ofício encaminhado ao Tribunal de Justiça no último dia 10, solicita que a suspensão seja informada a todos os magistrados.
“Tomando conhecimento sobre eventual exercício da advocacia pelo(a) advogado(a) aqui indicado(a) — Camila — no período de suspensão, solicitamos que seja comunicado a este Tribunal de Ética e Disciplina”, é dito no texto assinado por Flávio Narciso Campos.
Outro advogado denunciado
Em novembro, o MPES fez um aditamento à denúncia, aceito pela Justiça estadual, contra Wanderson Viana Fernandes Vital, que fazia a defesa de Camila. Segundo o MPES, ele 'fez uso de documento particular falsificado”, e o apresentou ao juízo durante a audiência de custódia de Camila, para requerer, em favor dela, a prisão domiciliar.
“O documento, cujo conteúdo foi alterado para simular a autenticidade de um exame médico, foi utilizado pelo denunciado (Wanderson) na tentativa de induzir a erro as autoridades presentes, atribuindo-lhe aparência de autenticidade. A falsidade foi confirmada após consulta ao laboratório indicado, o qual informou que Camila Carnielli não havia comparecido ao local na data mencionada, nem realizado o referido exame”, diz o texto da denúncia.
Além da audiência de custódia de Camila, Wanderson atua na defesa de Camila nos processo que ela responde por tráfico de drogas, corrupção de menores e associação ao tráfico.
Houve recurso da OAB-ES, pedindo o trancamento da ação contra Wanderson, o que não foi aceito pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Mas foram solicitadas informações sobre o caso ao Juízo da 1ª Vara Criminal de Barra de São Francisco, onde o processo tramita.
O que diz a defesa
Por nota, o advogado Wanderson que foi surpreendido com a inclusão do seu nome na denúncia, assinalando que não existem provas concretas para tal medida. “Até o presente momento, não me foi apresentada nenhuma evidência que demonstre minha participação direta ou indireta na prática do crime em questão”
Acrescenta que é papel do Ministério Público conduzir investigações e propor ações judiciais, com base em indícios e elementos concretos. “Contudo, a minha inclusão parece ter ocorrido de forma precipitada, sem a devida apuração que se espera de um órgão que carrega tamanha responsabilidade”, diz.
Informa que confia no Poder Judiciário e que acredito que a verdade será esclarecida. “Meu compromisso é com a justiça e com o pleno esclarecimento dos fatos, mantendo minha postura de colaboração com todas as autoridades envolvidas. Reafirmo minha inocência e reitero que jamais compactuei ou participei de qualquer ato ilícito. Estou seguro de que minha trajetória e conduta moral serão suficientes para demonstrar a improcedência das acusações feitas contra mim”, assinalou.
A defesa de Camila não foi localizada. O espaço segue aberto para a manifestação.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.