As informações estão na denúncia encaminhada à Justiça estadual na última quinta-feira (22), assinada pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Martinez Berdeal. No texto é dito que as apurações “comprovam a existência de um padrão utilizado pelos denunciados com diversos mecanismos fraudulentos”. E ainda que eles “comprovam o contexto corruptivo”.
Foram identificadas pelo menos 10 etapas. São elas:
Segundo a Corregedoria-Geral da Justiça, desde o início das investigações, que resultaram na Operação Follow The Money, já havia indicativos de irregularidades e similaridade entre as ações que foram ajuizadas nas cidades de Barra de São Francisco, Ecoporanga e Vitória. “Com fraudes e tratativas ilícitas para o direcionamento decisório e benefício indevido à determinadas partes e advogados, ora denunciados, integrantes da organização criminosa”.
Outro ponto é que os processos tramitaram com celeridade. “Com decisões no mesmo dia ou no dia seguinte aos pedidos autorais, bloqueio de bens rápido e liberação de valores apressados. Os referidos processos judiciais duravam dias entre o pedido inicial e a sentença de extinção”, é relatado na denúncia.
O dinheiro obtido era movimentado entre o grupo denunciado, segundo o MPES. Acrescenta que havia o “intuito de ocultar ou dissimular a origem ilícita e possibilitar a subsequente integração aos respectivos acervos de bens pessoais pela conversão em ativos aparentemente lícitos (lavagem de dinheiro)”.
A ocultação dos valores foi viabilizada por intermédio da utilização de pessoas físicas e jurídicas. O MPES aponta que houve enriquecimento indevido dos envolvidos. “Como consequência natural da ocultação de ativos foram identificadas inconsistências patrimoniais e financeiras flagrantes”, é dito na denúncia.
Foi pedido à Justiça estadual a condenação dos denunciados ao pagamento do valor de R$51.526.813,74. Uma parte refere-se ao dano material com o saque nas contas que totalizou R$17.175.604,58. O restante refere-se a dano moral coletivo.
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) informou que o caso permanecerá sob a relatoria do desembargador Sérgio Ricardo de Souza, considerando que um dos denunciados é um juiz. Trata-se do magistrado Maurício Camatta Rangel.
A defesa de Bruno Fritoli está sendo realizada pelo advogado Rafael Lima. Ele informou que neste momento o trabalho está prejudicado por falta de acesso a todo o material do inquérito judicial. “O que dificulta a defesa. Já pedimos acesso a tudo, mas ainda não foi franqueado. Só depois teremos condições de fazer a defesa preliminar”, informou.
Em entrevistas anteriores ele já havia informado que Fritoli "atuava como magistrado há mais de uma década, sempre com lisura e responsabilidade". E que está "confiante da índole de Bruno durante sua carreira no Judiciário".
O advogado Ludgero Liberato, que faz a defesa do juiz Maurício Camatta Rangel, informou que seu cliente não foi notificado da denúncia e que apresentará sua defesa no prazo legal.