No pedido apresentado à Justiça estadual, foi dito que há riscos à segurança pública e à integridade das vítimas. E ainda que a medida é necessária também para assegurar a credibilidade das instituições de segurança e o caminhar do processo e investigações.
“A conduta do requerido – policial militar – ao utilizar sua condição funcional para ameaçar e intimidar agentes públicos, bem como sua evidente perda de controle emocional e resistência à prisão, demonstra risco concreto de que a continuidade de sua autorização para portar arma de fogo possa comprometer a segurança de terceiros e a ordem pública”, informa o advogado Fábio Marçal.
Ele faz a defesa do policial civil Anderson Simões de Mattos e do delegado Maurício Gonçalves da Rocha, chefe da Divisão Especializada de Delitos de Trânsito. Os dois foram alvo das agressões.
Segundo o advogado, como policial militar, Amaral possui porte de arma de fogo garantido em razão da função. “Contudo, os eventos narrados demonstram a total inadequação e descontrole para o uso racional desse direito, colocando em risco a segurança pública e a integridade das vítimas”, relatou à Justiça.
O pedido foi feito com base no artigo 319, VI, do Código de Processo Penal, que prevê a possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, o que inclui a suspensão do exercício de função pública ou atividade.
No dia 24 de novembro do ano passado Amaral chegou a ser preso após se envolver em uma confusão durante a realização de uma blitz da Lei Seca. Segundo informações obtidas pelo repórter Vinícius Lodi, os fatos ocorreram quando um veículo foi abordado.
Após todos desembarcarem, o condutor, não identificado, recusou o teste do bafômetro, e, quando a polícia informou que seria lavrado um auto de infração, o homem que estava no carona, que se identificou como policial militar, tentou interferir, sugerindo que auto não fosse feito. Quando houve a negativa, teve início o conflito.
Amaral estaria com sinais de embriaguez, se exaltou e xingou os envolvidos na blitz. E ao receber voz de prisão, não se deixou algemar, caindo no chão com os agentes da corporação civil, enquanto o delegado pedia para que se acalmasse e cooperasse.
Ao ser levantado do chão, ele teria desferido um soco contra o delegado, que falava ao celular. Outro policial civil também foi ferido, segundo o advogado, com lesão grave na mão. Cinco pessoas ajudaram na contenção de Amaral.
A defesa do policial militar não foi localizada, mas o espaço segue aberto para que possa se manifestar sobre o pedido feito à Justiça estadual.