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Pedreiro será julgado por assassinato 18 anos após fugir do ES

Amaury Ferrugine se escondeu em Santana do Araguaia, onde foi preso no final de 2021; crime foi cometido porque ele suspeitava que a vítima era amante de sua esposa

Publicado em 07 de Junho de 2024 às 03:50

Públicado em 

07 jun 2024 às 03:50
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Preso no Pará
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso
Era manhã de domingo e Daniel Gomes Pereira, 37 anos, passeava de bicicleta com os filhos de 5 e 11 anos, quando foi morto com um tiro nas costas. O disparo foi feito por Amaury Ferrugine, que alimentava uma suspeita, não comprovada, de que a vítima era amante de sua mulher. Após o crime ele fugiu para o Pará, onde recomeçou a vida. Mas foi localizado, preso e após 18 anos se sentará no banco dos réus.
O julgamento está marcado para o próximo dia 14, na comarca de São Mateus, onde o crime aconteceu. O processo ficou anos paralisado até que o denunciado pelo crime fosse detido, o que aconteceu no último dia do ano de 2021.
Amauri  se escondeu no interior do Norte brasileiro, onde recomeçou a sua vida em Santana do Araguaia, cidade a 2.252,6 quilômetros de São Mateus. No processo há relatos de moradores que contam que ele atuava na região como pedreiro. Pouco se sabia do seu passado.
Após ser localizado, ele foi preso preventivamente, e transferido para o Estado, onde permanece detido. Com o seu retorno, o processo foi reiniciado.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) aponta  “motivo fútil para o crime” e sem que a vítima tivesse como se defender. “A vítima foi atacada de surpresa, atingida pelas costas. Crime motivado por ciúmes. Ele acreditava que sua companheira o estava traindo com a vítima”, relata o texto.
Uma suspeita que não foi comprovada, segundo o MPES. “Embora haja relato de que a esposa do réu o traía com diversos homens, os autos (processo) informam que a vítima não estava entre eles, sendo ainda descrita como uma pessoa pacata e trabalhadora”, é relatado.
O crime foi cometido em via pública. Daniel passeava com as crianças, seguindo para casa, quando foi surpreendido por Amaury. Estava com o filho de 5 anos no quadro da bicicleta no momento em que foi atingido. O disparo foi feito por uma espingarda.
No processo vários advogados fizeram a defesa de Amaury e apontam que ele agiu em legítima defesa, após discutir com a vítima. ”A legítima defesa é claríssima, pois o acusado foi conversar com a vítima, e esta partiu para cima do acusado, no intuito de agredi-lo. Era público e notório que a vítima tinha um caso amoroso com a mulher do acusado, sendo este o motivo do desentendimento”, é relatado no processo.
Mas o MPES contesta esta teoria. “Esta versão não encontra respaldo em qualquer elemento informativo ou probatório, escorando-se unicamente na frágil versão trazida exclusivamente pelo réu”. E acrescenta: “A vítima foi atacada de surpresa, atingida pelas costas”.
O promotor Rodrigo Monteiro, que atua  no Tribunal do Júri de São Mateus,  observa que  para muitos a justiça tardia não é justiça. Mas destaca que às vezes ela tarde por culpa do Estado.
"Nesse caso específico, o réu ficou foragido por 16 anos, se escondendo da justiça e de suas responsabilidades. Felizmente, mesmo depois de mais de uma década e meia, teremos a oportunidade de fazer justiça e, enfim, encerrar o luto de uma família que foi covardemente destruída em 2006. O papel do Ministério Público é jamais soltar as mãos das vítimas e de seus familiares, e nesse julgamento temos a certeza de que a morte de Daniel jamais será esquecida", assinalou Rodrigo Ribeiro.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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