No dia seguinte os peritos foram à região em busca de vestígios de uma cena de crime complexa, onde precisava ser identificado de qual arma partiu o tiro que matou Daniel Ribeiro Campos da Silva, de 68 anos. E mais, saber se ela pertencia aos criminosos ou aos policiais.
O material encontrado e posteriormente analisado apontou para três regiões de disparo, duas delas atrás do hospital e uma terceira, em outro ponto próximo à avenida, onde um carro foi queimado e cujos disparos atingiram um prédio em Bento Ferreira. Os peritos foram ainda a outros locais que tinham sido alvo dos tiros. Um deles foi o quarto onde a vítima estava internada, e onde o “buraco” por onde a bala passou ajudou a entender de onde ela tinha partido.
Foram estes elementos - o que foi deixado nas áreas de disparo, como os estojos das balas, e ainda os “buracos” deixados nos pontos que receberam os tiros -, é que permitiram aos peritos refazerem a trajetória dos disparos.
Um dos locais de onde os tiros partiram fica exatamente atrás do hospital, em uma vegetação a cerca de uns 33 metros de altura. “O quarto da vítima ficava no último andar do hospital, de frente para onde estavam os criminosos”, explica o perito Régis de Almeida Farani, que atua na seção de reprodução simulada e exames especiais.
O modelo tridimensional desenvolvido pela perícia permitiu observar a dinâmica do conflito e que os criminosos atiravam contra os policiais que estavam do outro lado da rua. E que na rota dos tiros estava o quarto de Daniel. Garantiu ainda elementos seguros para a investigação que estava sendo realizada pelo delegado Marcelo Cavalcanti, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória.
“Como perito nós não procuramos confirmar uma narrativa. Deixamos que os vestígios nos contem o que aconteceu. E foi o que fizemos. O modelo desenvolvido, além de ilustrar a rota dos disparos, mostra, principalmente, que outras trajetórias não seriam condizentes com o material que encontramos”, relata Farani.
O material por eles recolhido levou a um conjunto de seis armas usadas pelos criminosos. Quatro pistolas acabaram sendo apreendidas nos meses que se seguiram em operações das polícias militar e civil e três foram relacionadas ao conflito.
Uma delas foi apreendida em Aracruz e era a única compatível com a bala que atingiu a vítima no hospital. Posteriormente, na investigação realizada pelo delegado, foi possível confirmar que ela pertencia a Guilherme de Oliveira Florentino, conhecido como Gui Capeta, e que ele foi o autor do disparo que matou Daniel.
A equipe da perícia balística também identificou que uma das armas apreendidas com um dos envolvidos no confronto tem relação com um outro homicídio ocorrido em Cariacica. Outro ponto, segundo Régis, é que as análises permitiram descartar as armas dos policiais dos disparos que atingiram o hospital.
A Polícia Científica foi criada em 2022, e reúne o Instituto de Identificação, Instituto de Laboratórios Forenses, Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal, realizando perícias criminais variadas, como os exames laboratoriais, as perícias médico-legais, os exames de corpo de delito, e a identificação humana, civil e criminal.