Policial Militar suspeito de atuar em milícia no ES é solto pelo STJ
“La Liga”
Policial Militar suspeito de atuar em milícia no ES é solto pelo STJ
A defesa de outras três pessoas, incluindo militares também denunciados pelo Ministério Público, já solicitou a extensão do benefício para os seus clientes
Ao todo seis pessoas foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), e cinco foram detidas na Operação “La Liga”, realizada em 2022, e tiveram as prisões convertidas para preventivas. O sexto recebeu medidas cautelares diversas da prisão. No grupo estão quatro policiais militares.
A decisão do STJ que concedeu liberdade para Welquerson foi assinada pela ministra Daniela Teixeira. “Considerando os elementos individualizados do caso concreto sob julgamento, revela-se desproporcional e injustificada a manutenção da prisão”, disse ao aceitar os pedidos feitos pelo advogado David Metzker Dias Soares, de que a prisão do cabo fosse substituída por outras medidas restritivas.
Entre elas foi determinado a Welquerson o comparecimento bimestral em juízo para informar e justificar suas atividades; que mantenha endereço atualizado; que não se ausente do local de domicílio por mais de 8 dias sem comunicação e não faça contato com os outros réus.
Foi autorizado ao cabo que ele retorne ao trabalho na Polícia Militar, na área administrativa, não podendo realizar trabalhos ostensivos ou de campo. E deverá usar tornozeleira.
Contra as seis pessoas tramita um processo na 1ª Vara Criminal que está na fase em que o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), autor da denúncia, e os advogados precisam apresentar suas argumentações finais. Na fase seguinte o juízo decidirá quem irá a julgamento.
Metzker, que faz a defesa do cabo Welquerson, informou que prepara suas alegações finais. “O Ministério Público pugnou pela pronúncia, no caso de homicídio e impronúncia quando a associação criminosa. A defesa pugnará pela impronúncia em relação a todos os crimes e espera que essa seja a decisão do juízo competente”, disse.
Os advogados Marcos Daniel, Carlos Antonio Tavares e Caio Guerra, que fazem a defesa de três dos outros cinco acusados, já informaram que também apresentaram seus recursos solicitando a extensão do benefício a seus clientes. São eles, respectivamente: Glaydson Alvarenga Soares (Pajé), o cabo Ronniery Vieira Peruggia e Walace Luiz dos Santos Souza
Não há informações sobre a situação do soldado Josemar Fonseca Lima (Baiano) e do cabo José Moreno Valle da Silva, vulgo Moreno. A coluna não conseguiu contato com as defesas deles, mas o espaço segue aberto para a manifestação.
Por nota, o MPES informou que tomou conhecimento da decisão e que "analisará cuidadosamente os autos (processo) para, se for o caso, adotar as medidas necessárias para obter a revisão da decisão".
Segundo o MPES, os denunciados “integravam e mantinham organização paramilitar, milícia particular, grupo armado com finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos no Código Penal”.
No documento encaminhado à Justiça estadual, foi informado que o grupo realizava “incursões ilícitas” pelas ruas da Grande Vitória “com o propósito de cometer crimes e ilegalidades”.
Um dos supostos crimes praticados pelo grupo aconteceu no dia 21 de fevereiro, na praça do bairro Itararé, em Vitória. No local, Felypy Antônio Alves Chaves, o "Cambalaxo", foi assassinado ao lado da arquibancada do campo de futebol, por volta das 2h, com vários disparos de arma de fogo.
Foram utilizadas imagens de videomonitoramento de Vitória, das redes sociais, o Google Maps, a medição de passos por sensor telefônico, identificação biométrica entre outros recursos para identificar os membros da organização criminosa e provar sua atuação.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.