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Sem acordo

Por que a suposta trégua do PCC e CV não afetou grupos criminosos no ES

Segundo a Polícia Civil, além da ausência de um comunicado, as situações vividas pelos grupos locais ofuscaram a suposta proposta de "paz"

Publicado em 25 de Fevereiro de 2025 às 03:30

Públicado em 

25 fev 2025 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

PCC e CV
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
A suposta trégua entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que poria fim a uma rivalidade histórica, ainda não teve impacto nos grupos criminosos do Espírito Santo. Embora aliados das facções de São Paulo e do Rio de Janeiro, a prisão de suas principais lideranças, os conflitos internos e até guerras entre as  denominações do crime em solo capixaba têm ofuscado uma possível orientação de “paz”.
A começar pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV), que vive um momento de desordem interna, agravada após a prisão, no ano passado, de sua principal liderança que estava em liberdade, Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo; e ainda de seus gerentes.
O mesmo destino também tiveram seus chefes históricos, que mantinham um controle severo sobre os faccionados e que estão todos detidos em presídios federais. Sem seus líderes, houve a criação de um conselho gestor, com uma nova cartilha, o que aparenta não estar sendo aceito por todos os integrantes, que não reconhecem a sua legitimidade.
O PCV se apresenta como aliado do CV, que o abastece com armas e drogas. E ainda garante que os faccionados foragidos possam se esconder nas favelas do Rio sob o seu comando.
O problema é que o CV não estava satisfeito com seus aliados no Estado, principalmente com a união do PCV com seus rivais em algumas áreas/situações. Basta lembrar que as lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP), os irmãos Vera — Luam Gomes Faria, o Kamu; Gabriel Gomes Faria, o Buti; e Bruno Gomes Faria, o Nono — já foram do PCV. Buti, inclusive, foi batizado por eles.
Em paralelo, houve um aumento dos “abrigados” nas favelas do Rio, o que levou o Comando Vermelho a baixar novas orientações, incluindo a cobrança de caixinha para os que lá se escondiam. Com isso, os faccionados capixabas passaram a ter um custo extra: pagar a caixinha de duas facções, o que não agradou a alguns chefes regionais do PCV, que decidiram deixar a facção.
Eles também não concordam com o novo alinhamento e querem ser independentes, ter autonomia. Quatro deles receberam decreto de morte, e seus domínios estão sendo alvos de ataques. São áreas que já se declaram integrantes do CV, não citando mais participação no PCV. Mas há uma tentativa de alguns chefes na busca por uma solução mais pacífica.
O PCV também tenta se desvencilhar da imagem de que faz parceria com os rivais. É citado como exemplo o ataque ocorrido no último dia 20, na Penitenciária de Segurança Máxima 2, que deixou seis feridos graves, sendo dois deles as principais lideranças da facção rival, o TCP.
Em paralelo, o PCC tem poucos integrantes no Espírito Santo, principalmente nos presídios, e são unidos ao TCP. E não há informações de que tenham recebido comunicados externos para para uma trégua com o PCV/CV.

Monitoramento

No Espírito Santo, as áreas de inteligência das forças de segurança têm acompanhado a movimentação das facções criminosas no Estado e no Brasil. “Não observamos nenhum impacto no Estado, considerando que os integrantes do PCC são poucos e até agora eles não receberam nenhum comunicado de trégua”, relata o delegado Romualdo Gianordoli Neto, titular da Subsecretaria de Inteligência (SEI).
Ele relata que em alguns Estados já foi possível identificar que houve redução das mortes em função da trégua. “Onde se observa com mais clareza esta situação é no Norte e Nordeste do país, onde se viu claramente que houve uma queda no número de homicídios, como ocorreu no Norte do Ceará. Mas são locais onde se tem um número maior de integrantes nestas duas facções”.
Mas o mesmo não é perceptível em locais onde a atuação de um ou outro grupo é incipiente. “Não dá para observar a suposta paz aqui, por exemplo, onde o PCC tem atuação incipiente, ou em São Paulo, com influência mais forte do PCC, ou no Rio, sob domínio do CV, TCP, milícias”, pondera o subsecretário.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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