A suposta trégua entre o
Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que poria fim a uma rivalidade histórica, ainda não teve impacto nos grupos criminosos do
Espírito Santo. Embora aliados das facções de São Paulo e do Rio de Janeiro, a prisão de suas principais lideranças, os conflitos internos e até guerras entre as denominações do crime em solo capixaba têm ofuscado uma possível orientação de “paz”.
O PCV se apresenta como aliado do CV, que o abastece com armas e drogas. E ainda garante que os faccionados foragidos possam se esconder nas favelas do Rio sob o seu comando.
O problema é que o CV não estava satisfeito com seus aliados no Estado, principalmente com a união do PCV com seus rivais em algumas áreas/situações. Basta lembrar que as lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP), os irmãos Vera — Luam Gomes Faria, o Kamu; Gabriel Gomes Faria, o Buti; e Bruno Gomes Faria, o Nono — já foram do PCV. Buti, inclusive, foi batizado por eles.
Eles também não concordam com o novo alinhamento e querem ser independentes, ter autonomia. Quatro deles receberam decreto de morte, e seus domínios estão sendo alvos de ataques. São áreas que já se declaram integrantes do CV, não citando mais participação no PCV. Mas há uma tentativa de alguns chefes na busca por uma solução mais pacífica.
Em paralelo, o PCC tem poucos integrantes no Espírito Santo, principalmente nos presídios, e são unidos ao TCP. E não há informações de que tenham recebido comunicados externos para para uma trégua com o PCV/CV.
No Espírito Santo, as áreas de inteligência das forças de segurança têm acompanhado a movimentação das facções criminosas no Estado e no Brasil. “Não observamos nenhum impacto no Estado, considerando que os integrantes do PCC são poucos e até agora eles não receberam nenhum comunicado de trégua”, relata o delegado Romualdo Gianordoli Neto, titular da Subsecretaria de Inteligência (SEI).
Ele relata que em alguns Estados já foi possível identificar que houve redução das mortes em função da trégua. “Onde se observa com mais clareza esta situação é no Norte e Nordeste do país, onde se viu claramente que houve uma queda no número de homicídios, como ocorreu no Norte do Ceará. Mas são locais onde se tem um número maior de integrantes nestas duas facções”.
Mas o mesmo não é perceptível em locais onde a atuação de um ou outro grupo é incipiente. “Não dá para observar a suposta paz aqui, por exemplo, onde o PCC tem atuação incipiente, ou em São Paulo, com influência mais forte do PCC, ou no Rio, sob domínio do CV, TCP, milícias”, pondera o subsecretário.