A informação está em decisão do último dia 21, da 7ª Vara Federal de Execução Penal de Rondônia, que determinou o regresso do preso. A transferência aconteceu na última terça-feira (27) e ele foi recolhido à Penitenciária de Segurança Máxima 2, em Viana, segundo informações da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus).
Todos os anos há um debate processual entre representantes da Justiça federal e do Espírito Santo sobre a renovação da permanência dos detentos em Porto Velho. Mas desta vez, segundo a decisão acima, o Juízo da 10ª Vara Criminal da Comarca de Vitória não se manifestou sobre o regresso de Pablo.
A alegação foi de que o chamado “conflito de competência”, uma espécie de recurso que questiona a devolução e apresenta os argumentos para que o detento seja mantido no presídio federal, foi feito apenas para dois criminosos: Carlos Alberto Furtado, o Beto; e a João de Andrade, o Joãozinho. “Sem qualquer menção ao nome de Pablo Bernardes”, diz o texto.
Em outro ponto a decisão aponta para uma suposta perda de prazo, citando um “considerável lapso temporal”, indicando uma possível demora do juiz capixaba em reagir à sentença do juiz corregedor da unidade federal sobre o caso. O que resultou no retorno de Pablo.
Já há recurso apresentado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para tentar reverter a decisão em relação a Pablo, e manter as outras quatro lideranças em Porto Velho.
O advogado Augusto Martins Siqueira Santos, que faz a defesa de Pablo, informa que já havia solicitado, por diversas vezes, o retorno do seu cliente ao Estado. “O nosso trabalho foi no sentido de garantir a Pablo a possibilidade de ressocialização, sendo possível ainda o contato dele com os familiares e filhos, que não vê há quatro anos”, relata.
A transferência se concretizou, relata, após a atuação do Juízo da 10ª Vara Criminal de Vitória. “Ele declinou a competência em relação ao caso, e com isto a decisão ficou nas mãos do Juízo Federal em Rondônia, onde reforçamos o nosso pedido para que o meu cliente voltasse, o que acabou sendo atendido”, destaca.
Em relação ao recurso do MPES, ele informou que continuará mantendo a atual defesa. “Nosso argumento é de que somente no Estado o Pablo terá condições de ressocialização, com a proximidade da família”, assinala.
E apontou que, mesmo detidas, as lideranças continuavam comandando o PCV. Recebiam o apoio de advogados investigados, suspeitos de transmitirem as informações, por meio de mensagens, para integrantes em liberdade.
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) foi demandado sobre a tramitação processual que resultou no retorno de Pablo aos presídios capixabas. O espaço segue aberto à manifestação.