Eles eram jovens, com até 34 anos, negros, e viviam em regiões de periferia com atuação do tráfico de drogas. Foram mortos por arma de fogo e em crimes com características de execução.
Levantamento realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com os dados fechados até o mês de novembro do ano passado, revela as características das vítimas:
O que também chama a atenção é que o agressor tem um perfil bem semelhante ao da vítima. E ambos são moradores de bairros localizados em áreas de periferia.
Outro dado que mostra o acirramento da violência urbana é que em 54% dos casos as vítimas tinham algum tipo de vínculo com o tráfico de drogas: era integrante de algum grupo, até mesmo rival; havia alguma dívida; foi declarado como informante ou delator; estava envolvido nos conflitos das facções por disputa de território.
De acordo com Pablo Lira, diretor-geral do IJSN, os dados impõem um cenário mais desafiador para os próximos anos, principalmente com a expansão das facções criminosas.
“Temos um contexto social de jovens que matam e morrem. E quando se analisa o perfil, eles têm baixo nível de instrução, estão fora da escola e sem trabalho. O que nos mostra que será necessário uma atuação forte e a longo prazo na área da prevenção”, assinala.
A maioria dos jovens vitimados em assassinatos ou que estão envolvidos com o tráfico não foram alcançados por políticas públicas nas fases de infância e adolescência.
Uma das causas desta condição, observa Pablo, foi o crescimento desordenado das áreas urbanas, e que não foi acompanhado por investimentos em educação, saúde, assistência social, saneamento, entre outros serviços públicos.
“Acreditamos que, com ações integradas, com a continuidade das ações do Estado Presente, com projetos voltados aos jovens, como escolas em tempo integral, centro de referência da juventude, além de ações do governo federal e dos municípios, a médio e longo prazo se consiga reduzir estes indicadores”, pontua o diretor.
*** A colunista vai tirar alguns dias de folga e retorna na segunda semana de janeiro. Até lá!