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Crise em facção

Racha no PCC: forças de segurança monitoram impacto em grupos no ES

No Espírito Santo o grupo ligado à facção paulista é pequeno e  segmentado se comparado à realidade nacional, mas apesar de distante da cúpula central e de suas decisões, vem sendo acompanhado

Publicado em 16 de Março de 2024 às 05:00

Públicado em 

16 mar 2024 às 05:00
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

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Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC Crédito: Arte: Geraldo Neto
O racha na cúpula da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda não teve reflexos nos grupos que atuam em alguns pontos no Espírito Santo, e que a ela estão ligados. Mas todos estão sendo acompanhado pelas forças  de segurança estaduais. A organização criminosa paulista enfrenta uma severa crise entre suas principais lideranças.
No Estado, embora o Porto de Vitória já tenha sido utilizado por eles para o tráfico internacional de drogas,  sua presença é mais segmentada e com poucos integrantes se comparada a atuação no Brasil. Um grupo pequeno que está bem distante da cúpula central e de suas decisões, que demoram a chegar à base.
“Eles atuam de forma mais independente, mas estamos monitorando", relata o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli, superintendente de Polícia Especializada.
Contam com duas divisões: o PCC da tranca, que organiza os integrantes que estão nas unidades prisionais, e o PCC da rua, formado pelos que estão soltos. Os últimos estão presentes, principalmente, em bairros da Grande Vitória, como Forte São João, Alagoanos e Ilha do Príncipe, em Vitória; e em alguns pontos de Cariacica, Serra e Vila Velha.
O monitoramento também se estende às unidades prisionais, onde os sinais da crise ainda não foram identificados. “O racha é real, deve haver um reflexo local, mas ainda não pegamos ”, conta Rafael Pacheco, titular da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), que é responsável pela gestão das unidades prisionais.
Nos presídios capixabas não é feita separação por facção criminosa  e em decorrência disto não há um levantamento oficial de quantos membros do PCC estão detidos. “Somos um dos poucos no país que não promove a separação e não reconhece facção como ente existencial”, relata Pacheco.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou vários integrantes do PCC à Justiça estadual, em processo que tramita em sigilo. E também acompanha as ações da facção paulista, com foco na reação dos grupos em relação a ausência da liderança principal de seu maior concorrente, o Primeiro Comando de Vitória (PCV), após a prisão de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. 

Perda de lideranças

Além da crise na cúpula, em terras capixabas o PCC também enfrenta dificuldades com a perda de lideranças de destaque. Em maio do ano passado, foi preso em uma megaoperação realizada em 13 estados e coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Fernandes Soares de Andrade, o Chapolin, 26, envolvido em homicídio e posse ilegal de arma de fogo.
No último dia 7, também foi preso o líder do tráfico do bairro Alagoano, em Vitória, Maycon Rocha Cabral, vulgo Maykon Meteoro, de 35 anos. Ele é integrante do Terceiro Comando Puro (TCP) que atua em parceria com o PCC em várias regiões do Estado, como o Alagoano, em Vitória; Morro do Quiabo, em Cariacica; Planalto Serrano, na Serra, e Ulisses Guimarães em Vila Velha.

Crise

A crise naquela que é considerada uma das maiores facções da América Latina, foi ocasionada por um diálogo gravado entre o seu líder, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, com policiais penais federais na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). No áudio, que acabou registrado em um processo, ele afirma que Roberto Soriano, o “Tiriça” e número dois na hierarquia da facção, era um “psicopata”.  
Segundo investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o áudio causou estresse entre outras lideranças – Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson de Paula Lima, o Andinho –, que pediram a cabeça de Marcola por traição, má conduta e “caguetagem”.
Marcola, por sua vez, teria pedido a cabeça dos três por terem cometido calúnia e traição contra ele.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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